Maya glyphs codex
1344×768 · AVIF · CC BY 4.0

Glifos maias em um dos raros códices sobreviventes, registrando conhecimentos astronômicos e calendários dessa civilização mesoamericana.
Sobre o tema
Os glifos maias compõem um dos sistemas de escrita mais complexos da América pré-colombiana. Diferentemente dos alfabetos modernos, a escrita maia é logossilábica: cada glifo pode representar uma palavra completa (logograma) ou uma sílaba. Essa combinação permitiu registrar desde eventos históricos até complexos cálculos astronômicos. A imagem retrata um fragmento de um códice maia, dos quais apenas quatro exemplares sobreviveram à destruição colonial: os códices de Dresden, Madrid, Paris e o Grolier (este último de autenticidade debatida).
Os códices eram feitos de casca de figueira (cortiça) revestida com gesso, dobrados em forma de biombo. O exemplo mais completo, o Códice de Dresden, contém tabelas de Vênus, eclipses e ciclos lunares, revelando o elevado conhecimento matemático maia. Os glifos eram pintados com pincéis finos e cores extraídas de minerais e vegetais: vermelho (hematita), azul (palygorskita) e preto (carvão). A perspetiva olho-de-peixe da imagem enfatiza a curvatura do suporte e a densidade dos caracteres.
O deciframento dos glifos maias começou no século XIX com os trabalhos de Yuri Knorosov, que propôs a natureza fonética da escrita, e avançou com achados epigráficos em sítios como Palenque e Tikal. Hoje, cerca de 80% dos textos conhecidos podem ser lidos, embora muitos aspectos rituais e calendáricos ainda sejam objeto de pesquisa. A escrita maia teve uso contínuo até o século XVI, coexistindo com o espanhol durante a conquista.
Os glifos não são meramente decorativos: cada elemento carrega significado específico. Por exemplo, o glifo "Ahau" representa um senhor ou governante, enquanto "Kin" simboliza o sol ou dia. A combinação deles em textos históricos permitiu reconstruir dinastias e guerras, como a rivalidade entre Tikal e Calakmul. Estudos recentes com infravermelho revelaram camadas de tinta ocultas, indicando que alguns códices foram reutilizados ou corrigidos.
Perguntas frequentes
O que representam os glifos maias?
Os glifos maias representam palavras ou sílabas, formando uma escrita logossilábica. Registram desde nomes de governantes e datas até eventos astronômicos e rituais religiosos.
Quantos códices maias sobrevivem?
Apenas quatro códices maias pré-colombianos são conhecidos: Dresden, Madrid, Paris e Grolier. Eles foram produzidos entre os séculos XIII e XV d.C. e tratam de calendários, astronomia e adivinhação.
Como os glifos maias foram decifrados?
O deciframento avançou no século XX com Yuri Knorosov, que propôs o caráter fonético da escrita. Desde então, epigrafistas como Linda Schele contribuíram para a leitura de cerca de 80% dos textos conhecidos.
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