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title: "CACD: Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata do Itamaraty (Guia Completo)"
meta_description: "Guia institucional completo do CACD/IRBr: história do Itamaraty, 4 fases do concurso, banca IADES, disciplinas, bibliografia FUNAG, vagas, carreira e vida diplomática."
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exam_full_name: "Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata"
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institution: "Instituto Rio Branco (IRBr) / Ministério das Relações Exteriores (MRE)"
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faq:
- question: "O que e o CACD?"
answer: "O Concurso de Admissao a Carreira de Diplomata (CACD) e o processo seletivo conduzido pelo Instituto Rio Branco (IRBr) para ingresso na carreira de diplomata do Servico Exterior Brasileiro, lotado no Ministerio das Relacoes Exteriores (MRE), conhecido como Itamaraty. O aprovado ingressa como Terceiro Secretario apos curso de formacao de dois anos no IRBr."
- question: "Quais sao os requisitos para prestar o CACD?"
answer: "O candidato precisa ser brasileiro nato (exigencia constitucional, art. 12 paragrafo 3 inciso V da CF/1988), possuir diploma de curso superior reconhecido pelo MEC em qualquer area, estar em gozo dos direitos politicos, estar em dia com as obrigacoes eleitorais e militares, e possuir aptidao fisica e mental comprovada em exame medico."
- question: "Quantas fases tem o CACD?"
answer: "O concurso atual e estruturado em quatro fases: (1) Prova Objetiva (TPS - Teste de Pre-Selecao), eliminatoria e classificatoria; (2) Provas Escritas de Lingua Portuguesa, eliminatorias e classificatorias; (3) Provas Escritas de Conhecimentos Especificos (Historia, Geografia, Politica Internacional, Direito, Economia, Lingua Inglesa, Lingua Espanhola ou Francesa); e (4) Avaliacao de Titulos."
- question: "Qual e a banca atual do CACD?"
answer: "Desde 2023 a banca examinadora e o Instituto Americano de Desenvolvimento (IADES). Anteriormente, o concurso foi conduzido pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliacao e Selecao e de Promocao de Eventos (Cebraspe, antiga UnB-Cespe) por mais de uma decada."
- question: "Quantas vagas sao oferecidas?"
answer: "O numero de vagas varia conforme as necessidades do MRE e a disponibilidade orcamentaria. Historicamente o CACD oferece entre 18 e 30 vagas, embora ja tenha oferecido 108 vagas (2008) e ja tenha tido edicoes com apenas 17 vagas. Em anos recentes, o numero medio tem sido inferior a 30."
- question: "Qual e a remuneracao inicial de um diplomata?"
answer: "O subsidio de Terceiro Secretario, posicao inicial da carreira, e fixado em lei e atualizado periodicamente. Os valores sao publicados na Lei 11.890/2008 e atualizacoes posteriores. O candidato deve consultar a tabela de subsidios atualizada na pagina oficial do MRE (gov.br/mre) e do IRBr (institutoriobranco.itamaraty.gov.br)."
- question: "Posso prestar o CACD sendo formado em qualquer curso?"
answer: "Sim. A unica exigencia academica e diploma de curso superior reconhecido pelo MEC. Aprovados costumam vir de Direito, Relacoes Internacionais, Historia, Letras, Economia, Engenharia e demais areas. A carreira diplomatica valoriza a pluralidade formativa."
- question: "E necessario falar varias linguas para passar?"
answer: "Sim, em diferentes graus. O CACD exige proficiencia em lingua inglesa (prova obrigatoria) e em lingua espanhola ou francesa (escolha do candidato). Apos o ingresso, o IRBr oferece cursos de outras linguas (mandarim, arabe, russo, alemao, japones, entre outras) durante a formacao e ao longo da carreira."
- question: "Quanto tempo dura o curso de formacao no IRBr?"
answer: "O Curso de Formacao no Instituto Rio Branco tem duracao de aproximadamente dois anos. Durante esse periodo, o aluno-diplomata ja recebe remuneracao como servidor publico federal e e avaliado em disciplinas como Direito Internacional Publico, Politica Externa Brasileira, Economia, Linguas Estrangeiras e Pratica Diplomatica."
- question: "Como funciona a remocao de um diplomata?"
answer: "A carreira diplomatica e estruturada em postos no Brasil (Secretaria de Estado em Brasilia) e no exterior (embaixadas, consulados-gerais, missoes junto a organismos internacionais). O diplomata e removido periodicamente entre postos conforme as necessidades do servico, com criterios de mobilidade definidos no Anexo do Decreto que regulamenta a carreira e em portarias do MRE."
- question: "O concurso e muito concorrido?"
answer: "Sim. A relacao candidato/vaga em edicoes recentes tem variado entre 200 e 600 inscritos por vaga, dependendo do numero de vagas ofertado. O percentual de aprovacao final e historicamente inferior a 0,5 por cento dos inscritos."
- question: "Quanto tempo um candidato leva, em media, para ser aprovado?"
answer: "Embora exista grande variacao individual, dados informais coletados pelo proprio IRBr e por associacoes de diplomatas (ADB - Associacao dos Diplomatas Brasileiros) indicam que a maioria dos aprovados leva entre tres e seis anos de preparacao dedicada. Casos de aprovacao na primeira tentativa existem, mas sao excecao."
- question: "Existe limite de idade?"
answer: "Nao ha limite de idade no edital atual. O candidato deve, contudo, ter ao menos 18 anos completos e estar apto fisicamente, conforme exame medico admissional."
related_links:
- title: "Instituto Rio Branco (IRBr)"
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- title: "Ministerio das Relacoes Exteriores (Itamaraty)"
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- title: "Fundacao Alexandre de Gusmao (FUNAG)"
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- title: "IADES - Instituto Americano de Desenvolvimento"
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- title: "Cebraspe (banca anterior)"
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- title: "IA CACD Elite (assistente especializado)"
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- title: "Questoes do CACD por ano"
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- title: "Carreira de Diplomata"
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- title: "Comparativo: CACD vs Concursos Juridicos Federais"
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CACD: Concurso de Admissao a Carreira de Diplomata do Itamaraty

O Concurso de Admissao a Carreira de Diplomata (CACD) constitui o unico canal legal de ingresso na carreira diplomatica brasileira. Conduzido pelo Instituto Rio Branco (IRBr), academia diplomatica do Ministerio das Relacoes Exteriores (MRE), o certame seleciona os Terceiros Secretarios do Servico Exterior Brasileiro, que representarao o Estado brasileiro nas relacoes com outros sujeitos de direito internacional. Trata-se de um dos concursos mais sofisticados do servico publico federal, exigindo dominio multilingue, cultura humanistica ampla e capacidade analitica em politica externa, direito internacional, historia, geografia e economia. Esta pagina apresenta um panorama institucional completo: a historia do Itamaraty e do IRBr, a estrutura do concurso em quatro fases, as disciplinas cobradas, a bibliografia oficial e a vida na carreira diplomatica.

Historia do Itamaraty e do Instituto Rio Branco (1945 ao presente)

A diplomacia brasileira, embora tenha raizes que remontam a Independencia (1822) e a formacao da chancelaria imperial sob Jose Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, e ao longo trabalho de seu filho Jose Maria da Silva Paranhos Junior, o Barao do Rio Branco (Ministro das Relacoes Exteriores entre 1902 e 1912), encontra na criacao do Instituto Rio Branco, em 1945, sua dimensao formativa moderna. O IRBr foi instituido pelo Decreto-Lei 7.473, de 18 de abril de 1945, ainda sob o Estado Novo, com a missao explicita de profissionalizar o ingresso e a formacao da carreira diplomatica, ate entao caracterizada por nomeacoes mistas que combinavam concurso de provas com indicacao politica.

A criacao do IRBr respondia a um diagnostico de modernizacao do Estado nacional. O Brasil, recem-saido da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) como pais cobeligerante das Nacoes Unidas, participaria da Conferencia de Sao Francisco (abril a junho de 1945) que daria origem a Organizacao das Nacoes Unidas (ONU, em ingles UN - United Nations), e necessitava de quadros diplomaticos profissionais para representar seus interesses no nascente sistema internacional do pos-guerra. A escolha do nome Rio Branco, em homenagem ao Barao, era simbolica: consolidava a tradicao oswaldiana de uma diplomacia juridica, baseada em arbitragem, em direito internacional e na resolucao pacifica de controversias.

Ao longo das decadas seguintes, o IRBr e o Itamaraty (assim chamado por causa do antigo Palacio Itamaraty no Rio de Janeiro, sede do MRE ate a transferencia para Brasilia em 1970) acompanharam as principais inflexoes da politica externa brasileira: o pragmatismo de Joao Neves da Fontoura, a Politica Externa Independente de Afonso Arinos e Santiago Dantas (inicio dos anos 1960), o Pragmatismo Responsavel e Ecumenico de Azeredo da Silveira sob o Governo Geisel (1974-1979), a redemocratizacao com a participacao na Convencao de Viena sobre o Direito dos Tratados (CVDT, 1969, ratificada pelo Brasil em 2009), a integracao regional com o Tratado de Assuncao (1991) que criou o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), a presenca em conferencias de meio ambiente (Conferencia das Nacoes Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ECO-92, no Rio de Janeiro), a candidatura permanente a uma cadeira no Conselho de Seguranca da ONU e o engajamento nos BRICS (Brasil, Russia, India, China, Africa do Sul), entre tantos outros marcos.

A sede do IRBr funciona no Anexo I do Palacio Itamaraty, em Brasilia, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1970. O instituto e dirigido por um diplomata de carreira, com posto de Embaixador ou Ministro de Primeira Classe, e oferece o Curso de Formacao (CFOR), de dois anos, que e simultaneamente etapa final do concurso e periodo probatorio remunerado dos novos diplomatas. Para informacoes oficiais e atualizadas, consulte institutoriobranco.itamaraty.gov.br.

O que faz um diplomata brasileiro

O diplomata brasileiro e o agente publico investido pelo Estado brasileiro da funcao de representar o pais perante outros sujeitos de direito internacional, sejam eles outros Estados, organizacoes internacionais (intergovernamentais ou nao governamentais com personalidade juridica internacional), ou foros multilaterais. Suas atribuicoes encontram fundamento na Convencao de Viena sobre Relacoes Diplomaticas (CVRD, 1961) e na Convencao de Viena sobre Relacoes Consulares (CVRC, 1963), ambas ratificadas pelo Brasil, e sao detalhadas no Decreto que regulamenta a carreira do Servico Exterior Brasileiro.

As funcoes diplomaticas, conforme classificadas pela CVRD/1961, podem ser sintetizadas em cinco grandes eixos: (i) representacao politica do Estado acreditante perante o Estado acreditado; (ii) protecao dos interesses do Estado acreditante e de seus nacionais, dentro dos limites do direito internacional; (iii) negociacao de acordos, tratados e ajustes bilaterais e multilaterais; (iv) observacao e relato sobre as condicoes politicas, economicas, sociais e culturais do pais ou foro junto ao qual atua; e (v) promocao de relacoes amistosas e cooperacao bilateral nas dimensoes politica, economica, cultural, cientifica e consular.

No exercicio cotidiano, isso se traduz em atividades como: redacao de telegramas e despachos sobre conjuntura politica de outro pais, negociacao de textos em conferencias multilaterais (por exemplo, Conferencia das Partes da Convencao-Quadro das Nacoes Unidas sobre Mudanca do Clima, COP-UNFCCC), assistencia consular a brasileiros no exterior (renovacao de passaportes, assistencia em casos de prisao, repatriacao em emergencias), promocao comercial em conjunto com a Apex-Brasil (Agencia Brasileira de Promocao de Exportacoes e Investimentos), promocao cultural por meio dos Centros Culturais Brasileiros (CCBs), e participacao em foros como ONU, OEA (Organizacao dos Estados Americanos), MERCOSUL, OMC (Organizacao Mundial do Comercio), G20 e BRICS.

Em ingles, a funcao e descrita como Foreign Service Officer; em frances, diplomate de carriere; em espanhol, funcionario diplomatico de carrera. A terminologia importa, ja que a propria preparacao para o concurso exige fluencia tecnica nessas linguas.

Estrutura do concurso CACD: 4 fases detalhadas

O CACD e regido por edital publicado pelo Instituto Rio Branco em conjunto com a banca examinadora contratada. A estrutura mais recente, sob a banca IADES, organiza-se em quatro fases sequenciais e eliminatorias.

Primeira fase: Teste de Pre-Selecao (TPS)

A primeira fase consiste em uma prova objetiva, denominada Teste de Pre-Selecao (TPS), com carater eliminatorio e classificatorio. Compoe-se de questoes de multipla escolha sobre o conjunto das disciplinas do edital. Historicamente, a prova abarca Lingua Portuguesa, Lingua Inglesa, Historia (do Brasil e Mundial), Geografia, Politica Internacional, Direito (Constitucional e Internacional), Economia e, em menor medida, Lingua Espanhola ou Francesa.

O TPS e a fase de maior funil: uma vez que centenas de candidatos competem por dezenas de vagas, apenas os classificados dentro de um numero predeterminado pelo edital (tipicamente entre 6 e 10 vezes o numero de vagas) sao admitidos a fase escrita. A nota minima para nao ser eliminado tambem esta prevista no edital. O candidato deve dominar nao apenas conteudo, mas tambem estrategia de prova: gestao de tempo, ponderacao de risco, capacidade de descartar alternativas.

Segunda fase: Provas Escritas de Lingua Portuguesa

A segunda fase e dedicada a Lingua Portuguesa em sentido amplo: redacao em prosa (dissertacao argumentativa sobre tema de politica externa, historia ou conjuntura internacional), exercicios de versao (do ingles e do espanhol/frances para o portugues) ou versao inversa (do portugues para essas linguas), e questoes discursivas de gramatica, sintaxe e estilistica. A norma culta e exigida em padrao academico elevado. Erros de concordancia, regencia ou pontuacao ja foram, historicamente, fatores decisivos de eliminacao.

A excelencia em Lingua Portuguesa decorre de uma exigencia estrutural da carreira: o produto principal do diplomata e o texto. Telegramas, memorandos, despachos e atas sao escritos em portugues e lidos por chanceleres, presidentes e cortes internacionais. A prova mede, portanto, mais do que erudicao: mede a capacidade de transmitir analise complexa de modo claro e juridicamente preciso.

Terceira fase: Provas Escritas de Conhecimentos Especificos

A terceira fase e o nucleo intelectual do concurso. Compoe-se de provas discursivas em cada uma das disciplinas especificas:

  • Historia do Brasil e Historia Mundial: questoes que cobram dominio da historiografia diplomatica, com enfase em politica externa brasileira, ordem internacional pos-1648 (Paz de Vestfalia), revolucoes do seculo XVIII e XIX, ordem do pos-Segunda Guerra Mundial, descolonizacao, Guerra Fria (1947-1991), e processos contemporaneos.
  • Geografia: geografia politica, geopolitica, geografia economica, demografia, ordenamento territorial brasileiro, integracao regional sul-americana, geografia ambiental.
  • Politica Internacional: teorias das Relacoes Internacionais (realismo classico, liberalismo institucional, construtivismo, escola inglesa), regimes internacionais, governanca global, foros multilaterais, politica externa comparada.
  • Direito Internacional Publico: fontes do DIP (artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justica, 1945), tratados (CVDT/1969), responsabilidade internacional do Estado, jurisdicao internacional, direito do mar (CNUDM/1982 - Convencao das Nacoes Unidas sobre o Direito do Mar), direito internacional dos direitos humanos, direito internacional humanitario, direito internacional do meio ambiente.
  • Direito Constitucional: Constituicao Federal de 1988, especialmente os dispositivos sobre relacoes internacionais (artigo 4), nacionalidade (artigo 12), tratados internacionais e seu rito de incorporacao (artigos 49 e 84), e direitos fundamentais.
  • Economia: micro e macroeconomia, comercio internacional, financas internacionais, integracao economica, economia brasileira contemporanea, indicadores e contas nacionais.
  • Lingua Inglesa: prova discursiva de redacao argumentativa, traducao e versao, e questoes de compreensao textual.
  • Lingua Espanhola ou Francesa: o candidato escolhe uma das duas linguas, e e avaliado em redacao, traducao/versao e compreensao.

Quarta fase: Avaliacao de Titulos

A quarta fase consiste na analise documental de titulos academicos, profissionais e linguisticos do candidato. Pos-graduacao stricto sensu (mestrado, doutorado), publicacoes, certificados de proficiencia em linguas estrangeiras, e experiencia profissional relevante somam pontos conforme o edital. Trata-se de fase apenas classificatoria: nao elimina, mas pode alterar a posicao final. Em concursos com diferenca pequena de pontos entre os classificados, os titulos podem ser decisivos.

Para conferir o edital vigente e o cronograma atualizado, consulte sempre a pagina da banca em iades.com.br e a pagina do IRBr em institutoriobranco.itamaraty.gov.br.

Disciplinas cobradas

A grade do CACD reflete a natureza generalista da carreira: o diplomata precisa transitar com fluencia entre direito, historia, economia e linguas. Abaixo, um detalhamento por disciplina, com bibliografias-chave indicadas em fontes oficiais (FUNAG, IRBr, MRE).

Lingua Portuguesa: gramatica normativa em nivel academico, redacao dissertativa, estilistica, semantica, coesao e coerencia. Bibliografia tradicional inclui obras de Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramatica do Portugues Contemporaneo) e a Moderna Gramatica Portuguesa de Evanildo Bechara.

Lingua Inglesa (English): a prova exige nivel C1/C2 do Quadro Europeu Comum de Referencia (QECR/CEFR). O candidato deve produzir essays sobre temas de politica internacional, traduzir textos academicos do ingles para o portugues e versionar despachos diplomaticos. Sao referencias The Economist, Foreign Affairs, International Affairs (Chatham House) e classicos como Diplomacy de Henry Kissinger (1994).

Lingua Espanhola (Espanol) ou Francesa (Francais): o candidato opta por uma. Em espanhol, fontes como El Pais, La Nacion, e a obra historiografica de autores como Tulio Halperin Donghi sao centrais. Em frances, Le Monde, Le Monde Diplomatique e a tradicao academica de Sciences Po (Paris) constituem referencia.

Historia (do Brasil e Mundial): historiografia diplomatica brasileira, com obras como Formacao da Diplomacia Economica no Brasil de Paulo Roberto de Almeida (publicado pela FUNAG), A politica externa do Brasil de Amado Cervo e Clodoaldo Bueno, e Historia das Relacoes Internacionais do Brasil de Vicente Sapienza.

Geografia: integra geografia regional brasileira, geopolitica classica (Mackinder, Spykman, Brzezinski) e contemporanea (relacoes de poder no Indo-Pacifico, Atlantico Sul, Amazonia continental), e analise de fluxos demograficos e migratorios.

Politica Internacional: teorias das Relacoes Internacionais, sistema internacional pos-1945, regimes internacionais, organizacoes multilaterais. Bibliografia central inclui Theory of International Politics de Kenneth Waltz (1979), After Hegemony de Robert Keohane (1984), e a producao da escola inglesa (Hedley Bull, The Anarchical Society, 1977).

Direito Internacional: as Convencoes de Viena (CVDT/1969, CVRD/1961, CVRC/1963), CNUDM/1982, Carta das Nacoes Unidas (1945), Estatuto de Roma (1998 - Tribunal Penal Internacional), tratados regionais. Manuais classicos sao Antonio Augusto Cancado Trindade, Celso Mello, Hildebrando Accioly e Valerio Mazzuoli.

Direito Constitucional: a Constituicao Federal de 1988, com enfase nos artigos sobre relacoes internacionais, nacionalidade e direitos fundamentais. Manuais como Jose Afonso da Silva, Gilmar Mendes e Ingo Sarlet.

Economia: microeconomia (teoria do consumidor, do produtor, mercados), macroeconomia (modelos IS-LM, Mundell-Fleming, contas nacionais), comercio internacional (Ricardo, Heckscher-Ohlin, modelos contemporaneos), financas internacionais. Manuais como o Krugman e Obstfeld (International Economics) e o Mankiw em macro.

Banca atual (IADES) versus banca anterior (Cebraspe)

A escolha da banca examinadora e decisao do MRE/IRBr e impacta significativamente o estilo de prova. De 2009 a 2022, o concurso foi conduzido pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliacao e Selecao e de Promocao de Eventos (Cebraspe), antiga UnB-Cespe, banca tradicional de concursos federais. A partir do certame de 2023, o IRBr contratou o Instituto Americano de Desenvolvimento (IADES) como banca examinadora.

Cada banca imprime caracteristicas proprias as provas. O Cebraspe historicamente utilizou questoes do tipo certo/errado com sistema de penalizacao por erro (cada erro descontava o equivalente a um acerto), o que exigia do candidato cautela analitica. O IADES, em sua experiencia previa em concursos do servico publico federal, tem utilizado predominantemente questoes de multipla escolha sem penalizacao, alem de provas discursivas com criterios objetivos de correcao.

O candidato deve adaptar sua estrategia de estudo e simulacao ao estilo da banca vigente, sem, contudo, descuidar do nucleo de conteudo, que e estavel e definido pelo IRBr no edital. Para conferir os editais, gabaritos comentados e provas anteriores oficiais, consulte iades.com.br e o arquivo historico em cebraspe.org.br.

Bibliografia oficial: Manuais do Candidato, Guias IRBr, biblioteca FUNAG

A Fundacao Alexandre de Gusmao (FUNAG), instituicao publica vinculada ao MRE e criada pela Lei 5.717/1971 (em homenagem a Jose de Alexandre Gusmao, o "Avo da Diplomacia Brasileira"), e a editora oficial do pensamento diplomatico brasileiro. Sua biblioteca digital, gratuita e em funag.gov.br, e a fonte primaria por excelencia para o candidato ao CACD.

Entre as obras essenciais publicadas pela FUNAG, destacam-se:

  • Historia da politica exterior do Brasil, de Amado Cervo e Clodoaldo Bueno: panorama da politica externa brasileira do Imperio aos dias atuais.
  • O Barao do Rio Branco e Cadernos do CHDD (Centro de Historia e Documentacao Diplomatica): historiografia primaria.
  • Manuais do Candidato: a serie editada pelo IRBr cobre as principais disciplinas do CACD, incluindo Politica Internacional, Historia, Geografia, Economia, Direito Internacional Publico, e Linguas. Alguns volumes estao disponiveis gratuitamente em PDF.
  • Guias do IRBr: orientacoes sobre estrutura de prova, criterios de correcao e dicas de estudo.

Alem disso, o candidato deve consultar a Biblioteca do Itamaraty, em Brasilia, e os portais oficiais do MRE em gov.br/mre para teses, discursos, e documentos oficiais como a Resenha de Politica Exterior do Brasil.

A literatura de cursinhos preparatorios privados pode ser util como sintese, mas nunca deve substituir as fontes primarias. O Itamaraty avalia, no candidato, a capacidade de leitura de obras integrais, nao de resumos.

Vagas historicas e concorrencia

O numero de vagas oferecidas no CACD varia conforme o orcamento do MRE, autorizacoes do Ministerio da Gestao e Inovacao em Servicos Publicos (MGI, antiga Secretaria de Gestao e Desempenho de Pessoal) e necessidades operacionais do servico exterior. Historicamente, observou-se grande oscilacao:

  • Decada de 1990: edicoes com 18 a 30 vagas.
  • Decadas de 2000 e inicio dos 2010: expansao significativa, com edicoes excepcionais de ate 108 vagas (2008), reflexo do Programa de Aceleracao do Crescimento e da expansao da rede consular durante o periodo de internacionalizacao da economia brasileira.
  • Decada de 2010 (segunda metade): contracao, com edicoes oferecendo entre 17 e 30 vagas.
  • Decada de 2020: estabilizacao em torno de 20 a 30 vagas por edicao.

A relacao candidato/vaga oscila entre 200 e 600. A percentagem de aprovacao final, em relacao aos inscritos, e historicamente inferior a 0,5 por cento. Os dados oficiais sao publicados pelo IRBr em seus relatorios anuais e pela banca examinadora apos cada certame.

Carreira diplomatica: progressao de Terceiro Secretario ate Embaixador

O Servico Exterior Brasileiro e estruturado em cinco classes hierarquicas, conforme a Lei 11.440/2006 (Lei do Servico Exterior) e regulamentos posteriores:

1. Terceiro Secretario (3S): classe de ingresso. O aprovado no CACD e nomeado Terceiro Secretario apos conclusao do Curso de Formacao no IRBr.
2. Segundo Secretario (2S): promocao por merecimento e antiguidade, normalmente apos quatro a cinco anos.
3. Primeiro Secretario (1S): promocao subsequente, com novos requisitos de tempo, postos servidos e avaliacao de desempenho.
4. Conselheiro: classe intermediaria de chefia.
5. Ministro de Segunda Classe e Ministro de Primeira Classe (Embaixador): classes mais elevadas, atingidas tipicamente apos 20 a 30 anos de carreira. O titulo de "Embaixador" no sentido funcional e concedido a Ministros de Primeira ou Segunda Classe que chefiem missao diplomatica permanente no exterior.

A progressao depende de tempo de servico, avaliacao de desempenho, postos servidos no exterior e, nas classes superiores, decisao do Presidente da Republica com referenda do Senado Federal (no caso de Chefes de Missao no exterior, conforme artigo 52, inciso IV, da CF/1988).

Vida diplomatica: lotacao, remocoes, postos no exterior

A carreira diplomatica e essencialmente movel. Apos o ingresso e a conclusao do CFOR, o Terceiro Secretario inicia sua trajetoria geralmente lotado na Secretaria de Estado das Relacoes Exteriores (SERE) em Brasilia, alocado em uma das divisoes ou departamentos tematicos (DAM-I, DAM-II, DAS, DAOC, DCB, DIPI, entre outras siglas que correspondem a Departamento de Assuntos Multilaterais, Africa, Oriente Medio, etc.).

Apos um periodo na SERE (tipicamente de tres a cinco anos), o diplomata e removido para um posto no exterior. Os postos sao classificados em letras de A a D conforme criterios como custo de vida, dificuldade de servico, condicoes de saude e seguranca, em sistema regulamentado pelo MRE. Postos A sao tipicamente capitais europeias e norte-americanas; postos D sao em paises ou cidades de maior dificuldade de adaptacao.

A remocao e regida por principio de mobilidade compulsoria: o diplomata aceita ir para o posto designado pela administracao, em respeito ao interesse do servico. Existem mecanismos de compatibilizacao de preferencias, mas a decisao final e do MRE. Cada remocao implica mudanca de pais, escola para filhos, adaptacao linguistica e cultural, alem de implicacoes para a carreira do conjuge ou companheiro/companheira (questao tratada em portarias internas do MRE sobre suporte familiar).

Postos no exterior incluem: Embaixadas (Embaixada do Brasil em determinado pais), Consulados-Gerais (em cidades com grande comunidade brasileira ou importancia comercial), Missoes Permanentes (junto a organismos como ONU em Nova York e Genebra, OEA em Washington, UNESCO em Paris, FAO em Roma, OMC em Genebra), e Delegacoes (em foros multilaterais especificos).

A vida diplomatica combina, portanto, prestigio institucional com exigencia pessoal alta: rotacao permanente, distancia da familia extensa no Brasil, necessidade de adaptacao a contextos culturais diversos, e responsabilidade publica continua. E uma carreira para quem entende a representacao do Estado como um sacerdocio civil, e nao como mero emprego publico.

FAQ: perguntas frequentes

1. Qual e a diferenca entre o IRBr e o Itamaraty?
O Itamaraty e o nome historico do Ministerio das Relacoes Exteriores (MRE). O Instituto Rio Branco (IRBr) e a academia diplomatica do MRE, responsavel pela formacao dos diplomatas. O IRBr e parte do MRE.

2. O CACD tem reserva de vagas?
Sim. O edital prevê reserva de vagas para candidatos negros (Lei 12.990/2014) e para pessoas com deficiencia (Lei 8.112/1990, artigo 5, paragrafo 2). Os percentuais e criterios sao definidos no edital de cada edicao.

3. Posso prestar o CACD se ja sou servidor publico?
Sim, desde que atendidos os requisitos do edital. Apos a aprovacao e posse, o candidato deve regularizar a situacao funcional anterior conforme regras de acumulacao de cargos publicos da CF/1988 (artigo 37, inciso XVI).

4. Quanto tempo dura o curso de formacao?
Cerca de dois anos, durante os quais o aluno-diplomata recebe remuneracao como servidor publico federal e e avaliado em disciplinas tecnicas e linguisticas.

5. Qual e a diferenca entre carreira diplomatica e carreira de oficial de chancelaria?
A carreira de Diplomata (com ingresso pelo CACD) e de natureza politica e representativa. A carreira de Oficial de Chancelaria (com ingresso por concurso proprio) e de natureza administrativa e tecnica, atuando como apoio logistico e administrativo das missoes diplomaticas.

6. O CACD e considerado um dos concursos mais dificeis do Brasil?
Sim. A combinacao de generalismo (multiplas disciplinas), profundidade academica (provas discursivas em conhecimentos especificos), exigencia multilingue (PT, EN, ES ou FR), e baixo numero de vagas faz do CACD um dos certames mais sofisticados e competitivos do servico publico federal.

7. Existem grupos minoritarios super-representados ou sub-representados na carreira?
Historicamente, a carreira diplomatica brasileira teve composicao predominantemente masculina, branca e oriunda de centros urbanos do Sudeste. Nas ultimas decadas, com a introducao de cotas raciais (Lei 12.990/2014), bolsas-premio do Programa de Acao Afirmativa do IRBr (PAA-IRBr, criado em 2002 pela Resolucao 555/MRE) e mudancas culturais, observa-se aumento gradual da diversidade. Dados oficiais sao publicados em gov.br/mre.

8. Posso me preparar sozinho ou preciso de cursinho?
Existem candidatos aprovados que se prepararam exclusivamente com fontes oficiais (FUNAG, IRBr, MRE) e literatura academica. A maioria, porem, recorre a algum tipo de orientacao, seja em grupos de estudo, mentoria com diplomatas e ex-aprovados, ou cursos preparatorios. A escolha depende de perfil, recursos e disciplina pessoal.

9. Como funciona a correcao de prova discursiva?
A correcao e feita por bancas com criterios definidos no edital, que avaliam coerencia, coesao, dominio do conteudo, fundamentacao teorica e adequacao a norma culta. As provas sao corrigidas por ao menos dois examinadores, e ha mecanismo de recurso fundamentado.

10. Existe etapa oral ou entrevista no CACD?
Atualmente o CACD nao tem fase de entrevista. Algumas edicoes historicas tiveram prova oral, mas o modelo vigente concentra-se em provas escritas (objetivas e discursivas) e avaliacao de titulos. O Curso de Formacao no IRBr inclui avaliacoes orais como parte da formacao, ja apos o ingresso.

11. Diplomatas podem se candidatar a cargos eletivos?
A Constituicao Federal de 1988 e a legislacao eleitoral preveem regras de desincompatibilizacao para servidores publicos. Diplomatas, como demais servidores, podem se candidatar mediante afastamento conforme prazos legais, mas a tradicao da carreira preserva neutralidade politica como valor institucional.

12. Qual e o impacto da carreira na vida pessoal?
Significativo. A mobilidade exige adaptacao constante de familia e conjuge, mudancas frequentes de pais, e ate certo ponto separacao da rede social brasileira. Por outro lado, oferece experiencias culturais e profissionais singulares, acesso a foros de decisao internacional, e remuneracao compativel com a complexidade do trabalho.

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Para aprofundar sua preparacao para o CACD com conteudo organizado, fontes oficiais e ferramentas de estudo:

A preparacao para o CACD e uma jornada longa, exigente e intelectualmente recompensadora. O Estado brasileiro, por meio do Itamaraty e do IRBr, busca em seus diplomatas combinacao rara de erudicao, disciplina e compromisso com o interesse nacional. Esta pagina e ponto de partida; a biblioteca da FUNAG, os Manuais do Candidato e os textos oficiais sao o nucleo do estudo. Boa jornada.