Guia definitivo: Financiamento imobiliário — SAC vs Tabela Price, qual escolher

SAC e Price são os dois sistemas de amortização mais usados no Brasil. Entenda a matemática, simulações e em quais casos um supera o outro.

Dois sistemas, duas lógicas

No financiamento imobiliário, a prestação é composta por amortização (redução do saldo devedor) + juros sobre o saldo.

SAC e Price diferem na forma de calcular essa divisão, gerando comportamentos muito diferentes ao longo do contrato.

Tabela Price (parcelas fixas)

As parcelas têm valor nominal constante durante todo o contrato. Nos primeiros meses, a maior parte é juros; ao longo do tempo, vira amortização.

Vantagem: previsibilidade e parcela inicial menor.

Desvantagem: paga mais juros no total. A amortização é lenta no começo — em 5 anos de contrato de 30, você amortizou pouco do valor.

SAC (Sistema de Amortização Constante)

A amortização mensal é fixa (valor do imóvel ÷ meses). Os juros incidem sobre o saldo remanescente. Logo, a parcela total cai a cada mês.

Vantagem: amortiza mais rápido e paga menos juros totais. Saldo devedor cai mais depressa.

Desvantagem: parcela inicial bem mais alta que a Price para o mesmo valor de imóvel.

Exemplo comparativo

Imóvel de R$ 500 mil, entrada de R$ 100 mil, financiado em 360 meses (30 anos) a 10% a.a.:

  • Price — primeira parcela ≈ R$ 3.510, última parcela ≈ R$ 3.510, total pago ≈ R$ 1,26 milhão
  • SAC — primeira parcela ≈ R$ 4.444, última parcela ≈ R$ 1.120, total pago ≈ R$ 1,00 milhão
  • Diferença total: SAC economiza ≈ R$ 260 mil em juros, mas exige capacidade de pagamento inicial maior

Como escolher

Critérios práticos para decidir:

  • SAC é melhor quando você tem capacidade de pagar a parcela inicial alta e quer minimizar juros totais
  • Price é melhor quando a renda é mais apertada hoje e espera-se que aumente (ou inflação corroa a parcela)
  • SAC combina bem com amortizações extras anuais — cada amortização reduz ainda mais juros futuros
  • Price + amortização extra pode funcionar também, mas ganho é menor porque juros iniciais já foram pagos

Amortização extraordinária

Você pode usar FGTS ou recursos próprios para amortizar parte do saldo devedor. Duas opções:

  • Reduzir prazo — mantém a parcela atual e termina o financiamento mais cedo (economia maior em juros)
  • Reduzir parcela — mantém o prazo e diminui o valor da parcela (alivia fluxo de caixa)
  • Regra prática: se não precisa do alívio mensal, reduzir prazo é quase sempre melhor

FGTS e Minha Casa Minha Vida

FGTS pode ser usado para: entrada (até 80% do valor do imóvel), amortização a cada 2 anos, ou liquidação total.

Minha Casa Minha Vida (atualmente Casa Verde e Amarela) oferece subsídio federal para famílias com renda até a faixa definida no programa, juros reduzidos e prazos estendidos.

Ambos são cumulativos com SAC ou Price; o sistema de amortização é escolhido pelo banco ou pelo cliente conforme a linha.

Sobre o autor
RC
Renato Candido dos Passos
Fundador e especialista em Blockchain, Fonoaudiologia e Finanças

Fundador da UtilizAí, formado em Blockchain, Criptomoedas e Finanças na Era Digital, com formações complementares em Teologia, Filosofia e em curso de Fonoaudiologia. Saiba mais.

Perguntas frequentes

Posso mudar de Price para SAC no meio do contrato?

Depende do banco. Geralmente não é permitido na mesma linha de crédito. É mais comum fazer portabilidade para outro banco com sistema desejado.

SAC tem parcela sempre decrescente?

Sim. A amortização é fixa, mas os juros caem com o saldo — por isso a parcela total diminui mês a mês.

E a TR/IPCA atualiza o saldo?

Sim. A maioria dos financiamentos brasileiros é atualizada por TR (baixa, quase zero) ou IPCA (inflação). IPCA pode aumentar saldo devedor ao longo do tempo.

Vale a pena quitar antes com economia em CDB?

Normalmente sim, se a taxa do financiamento é maior que o rendimento líquido do CDB. Considere também a liquidez — quitar elimina saldo, mas reduz reserva.