Sobre o tema
Casa Velha, de Machado de Assis, é uma novela narrada por um cônego que revisita seu passado e expõe a complexidade das relações sociais no Brasil imperial. A obra, publicada postumamente, destaca-se pela construção de um narrador-personagem que, embora eclesiástico e supostamente confiável, revela-se ingênuo e incapaz de interpretar corretamente os eventos ao seu redor. Machado, mestre da ironia e da psicologia, utiliza esse narrador para criticar a hipocrisia e as aparências enganosas, temas recorrentes em sua obra. O trecho inicial, em que o cônego afirma ter sofrido um acontecimento desagradável em 1839, prepara o leitor para a descoberta de sua própria credulidade, que o leva a ser manipulado por outros personagens. A análise da obra permite compreender como Machado de Assis desconstrói a figura do narrador objetivo, valorizando a subjetividade e a falibilidade humana.
Tópicos relacionados
- Narrador não confiável em Machado de Assis
- Análise de Casa Velha
- Ironia machadiana
- Ingenuidade e manipulação social
Enunciado
No início da novela Casa Velha, de Machado de Assis, o cônego
da Capela Imperial, um personagem da história, assumindo a
voz narrativa dela, conta a seus interlocutores:
“– Não desejo ao meu maior inimigo o que me aconteceu no
mês de abril de 1839.”
(MACHADO DE ASSIS. Casa Velha. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986, p. 11.)
De acordo com o texto, o acontecimento desagradável que vitimou o religioso faz com que ele possa ser considerado, ao final
da narrativa, como
Alternativas
- A)
um boêmio que se sente entediado na presença dos convivas da Casa Velha: “Disseram-me que era amiga da família,
e se chamava Mafalda. (...) Creio que disseram ainda outras
coisas; mas não me interessando nada, nem a conversação,
nem a hóspeda, (...) deixei-me estar comigo” (p. 29-30). - B)
um antiescravista, obrigado a conviver, na mesma casa grande, com senhores, agregados e escravos: “Lalau (...) com as
mãos no ombro do moleque, ora fitava os olhos na carapinha deste, ouvindo somente as palavras de Félix; ora erguia-os para o moço (...)” (p. 67). - C)
um republicano que suporta um velho Coronel de posições
conservadoras: “Reverendíssimo, (...) os farrapos invadiram
Santa Catarina, entraram na Laguna, e os legais fugiram.
Eu, se fosse o governo, mandava fuzilar a todos estes para
escarmento...” (p. 89). - D)
um ingênuo que se deixa iludir em suas relações pessoais:
“nem por sombras me acudiu que a revelação de Dona Antônia podia não ser verdadeira (...) Não adverti sequer na
minha cumplicidade. Em verdade, eu é que proferira as palavras que ela trazia na mente (...)” (p. 89).
Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.
Comentarios (0)
Carregando comentarios...
Perguntas frequentes
O que caracteriza o narrador de Casa Velha?
O narrador é um cônego que, ao contar sua história, revela-se ingênuo e pouco perspicaz, tornando-se um exemplo de narrador não confiável, pois suas interpretações dos fatos são questionáveis.
Como Machado de Assis utiliza a ironia em Casa Velha?
Machado emprega a ironia principalmente pela discrepância entre a percepção do narrador e a realidade dos eventos, expondo a hipocrisia e a ingenuidade do protagonista de forma sutil.
Qual a importância do ano de 1839 mencionado no início da novela?
O ano marca um evento desagradável para o narrador, que serve como gatilho para a narrativa, mas também situa a história no contexto do Brasil Império, permitindo críticas sociais e políticas.
Questões relacionadas
- No segundo período do quinto parágrafo, o advérbio “simetricamente” transmite a ideia de que, quanto maior conhecimento ...
- Evidencia-se na narrativa que o movimento paredista desencadeia um afastamento do narrador em relação infância, o que o ...
- No início do quarto parágrafo do texto 1A1-II, o vocábulo “recôndita” tem o mesmo sentido de...
- No dia 9 de agosto de 2023, ainda em Belém, os presidentes dos Estados-partes no TCA mantiveram encontro com mandatários...