Sobre o tema
O Ateneu, de Raul Pompeia, é uma obra fundamental do Realismo brasileiro, publicada em 1888. Narrada em primeira pessoa por Sérgio, o romance relembra sua experiência no internato, o Colégio Ateneu. A passagem do tempo e a reflexão sobre a memória são centrais: o narrador adulto questiona a autenticidade da saudade, separando as lembranças do sentimento que as acompanha. Essa desconstrução da nostalgia é um dos traços mais inovadores do livro, afastando-se da idealização romântica. A obra é considerada uma 'crônica de saudades', mas com um olhar crítico e psicológico, antecipando aspectos do Modernismo. Entender essa ambiguidade é essencial para analisar a narrativa e a visão de mundo do autor.
Tópicos relacionados
- Raul Pompeia e o Realismo no Brasil
- O Ateneu e a crítica à nostalgia
- Saudade como tema literário
- Memória e narrativa em primeira pessoa
- Análise de O Ateneu
Enunciado
Leia as duas citações a seguir, extraídas do início e do final de
O Ateneu:
“Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos feli-
zes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro
aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de
longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. Eufemismo,
os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos
alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores.
Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas.
Feita a compensação dos desejos que variam, das aspirações
que se transformam, alentadas perpetuamente do mesmo ar-
dor, sobre a mesma base fantástica de esperanças, a atualidade
é uma (...)”.
“Aqui suspendo a crônica das saudades. Saudades verdadei-
ramente? Puras recordações, saudades talvez, se ponderarmos
que o tempo é a ocasião passageira dos fatos, mas sobretudo
— o funeral para sempre das horas.”
(POMPEIA, Raul. O Atheneu (Chronica de saudades). Rio de Janeiro: Tipografia de Gaze-
ta de Notícias, p 3-4 e 368, 1888.)
Com base nessas duas citações, é possível afirmar que, ao fim
da narrativa de Sérgio sobre sua vida no colégio, o narrador
Alternativas
- A)
idealiza a felicidade experimentada na infância, suas aspira-
ções, seu ardor e suas esperanças. - B)
considera que a felicidade passada não era maior que a do
presente, pois os tempos são iguais. - C)
duvida da própria saudade, separando as lembranças relati-
vas ao passado daquele sentimento associado a elas. - D)
denuncia a hipocrisia da saudade que sente, por saber que
a passagem do tempo é incerta.
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Perguntas frequentes
Qual o papel da saudade em O Ateneu?
A saudade em O Ateneu é apresentada de forma crítica: o narrador adulto questiona se realmente sente saudade ou se as memórias são apenas recordações desprovidas do sentimento nostálgico, desconstruindo a idealização do passado.
Como Raul Pompeia utiliza a narrativa em primeira pessoa?
A narrativa em primeira pessoa permite ao autor explorar a subjetividade e a reflexão psicológica de Sérgio, que analisa suas memórias com distanciamento crítico, separando os fatos do sentimento.
O que diferencia O Ateneu de outras obras realistas brasileiras?
O Ateneu se destaca pelo foco na memória e na análise psicológica, além da prosa poética e da crítica social. A obra subverte a idealização romântica da infância ao mostrar o colégio como um microcosmo de hipocrisia e poder.
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