Ano 2024#portuguese

Sobre o tema

A crítica de Mário de Andrade a Olavo Bilac, exposta na série 'Mestres do passado', reflete o embate entre o Modernismo e o Parnasianismo no Brasil. Mário condenava o excesso de artifícios formais na poesia de Bilac, que considerava resultado de uma inspiração escassa. O poema 'As estrelas', de Bilac, é um exemplo clássico do Parnasianismo, com sua métrica rigorosa, rimas ricas e linguagem ornamentada. A análise de Mário destaca a 'parca inspiração' do poeta, compensada por um esforço formal excessivo, visível nas inversões sintáticas (hipérbatos) e no vocabulário rebuscado. Essa crítica foi fundamental para a renovação estética proposta pela Semana de Arte Moderna de 1922.

Tópicos relacionados

  • Mário de Andrade e a crítica literária
  • Parnasianismo brasileiro
  • Olavo Bilac e a poética formalista
  • Hipérbato na poesia brasileira
  • Semana de Arte Moderna de 1922

Enunciado

Em 1921, Mário de Andrade, escrevendo a série de artigos
“Mestres do passado”, publicados no Jornal do Comércio (edição de São Paulo), observou:
"Tarde [de Olavo Bilac] foi uma promessa de anos seguidos. Tais
são, tão salientes os artifícios e tão repetidos que muito bem
provam o esforço do poeta decaído da poesia e a sua parca
inspiração (...).”
(ANDRADE, M. Mestres do passado – Olavo Bilac. In: BRITO, M.S. História do modernismo brasileiro. Antecedentes da Semana de Arte Moderna. 5.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 288-289, 1978.)
Relacione, ao poema a seguir, o trecho da crítica anterior, assinalando a alternativa que coincide com a ideia geral de Mário
sobre a obra de Bilac.
As estrelas
Olavo Bilac
Desenrola-se a sombra no regaço
Da morna tarde, no esmaiado anil;
Dorme, no ofego do calor febril,
A natureza, mole de cansaço.
Vagarosas estrelas! passo a passo,
O aprisco desertando, às mil e às mil,
Vindes do ignoto seio do redil
Num compacto rebanho, e encheis o espaço...
E, enquanto, lentas, sobre a paz terrena,
Vos tresmalhais tremulamente a flux,
– Uma divina música serena
Desce rolando pela vossa luz:
Cuida-se ouvir, ovelhas de ouro: a avena
Do invisível pastor que vos conduz...
(BILAC, Olavo. Tarde. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, p. 42-43, 1919.)
Esmaiado: esmaecido, pálido
Aprisco: curral
Redil: curral para o gado ovino ou caprino; rebanho de ovelhas
Tresmalhar: Afastar-se, perder-se do rebanho
Flux: fluxo
Avena: flauta pastoril

Alternativas

  • A)

    O crítico lamenta o espaçamento da criação poética de Bilac, o que se expressa no poema pela imagem das estrelas
    que se afastam umas das outras.

  • B)

    O crítico elogia os salientes artifícios da linguagem poética
    de Tarde, o que se pode perceber, por exemplo, pela variedade de sinônimos para a palavra “curral”.

  • C)

    O crítico evoca, como resultado da pouca inspiração artística
    do poeta, a sobrecarga de investimento formal (os hipérbatos ou inversões, por exemplo).

  • D)

    O crítico associa a poesia de Bilac ao estilo decadentista, o
    que é reforçado pelas imagens de esgotamento, como se
    vê nas palavras “morna”, “esmaiado”, “ofego”, “mole”,
    “lentas”.

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Perguntas frequentes

O que foi o Parnasianismo no Brasil?

O Parnasianismo foi um movimento poético brasileiro do final do século XIX e início do XX, caracterizado pelo culto à forma, rigor métrico, rimas ricas e temas clássicos. Olavo Bilac foi seu principal representante.

Qual era a crítica dos modernistas a Olavo Bilac?

Os modernistas, liderados por Mário de Andrade, criticavam Bilac pelo excesso de formalismo e artificialidade, considerando sua poesia sem inspiração genuína, focada apenas em técnica e ornamentação.

O que é hipérbato na poesia?

Hipérbato é uma figura de linguagem que consiste na inversão da ordem direta dos termos da oração, comum na poesia para obter efeitos rítmicos ou estéticos. Exemplo: 'Desenrola-se a sombra' em vez de 'A sombra se desenrola'.

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