Ano 2023#portuguese

Sobre o tema

A obra de Stella do Patrocínio, uma mulher negra e pobre internada por décadas no sistema manicomial brasileiro, revela a potência da fala como resistência. Suas gravações, transcritas no livro 'Reino dos bichos e dos animais é o meu nome', representam um testemunho histórico das violências sofridas por milhares de pessoas consideradas 'desajustadas'. O título 'Quebrando o silêncio dos hospícios' remete ao ato de dar voz a essas histórias, rompendo o esquecimento imposto pelo Estado e pela sociedade. A análise da relação entre título e texto é essencial para compreender como a reportagem destaca o papel das falas de Stella na denúncia do encarceramento e abuso em instituições psiquiátricas.

Tópicos relacionados

  • Stella do Patrocínio e poesia falada
  • História dos manicômios no Brasil
  • Literatura marginal e testemunho
  • Arte como resistência em instituições psiquiátricas
  • Silenciamento de minorias na saúde mental

Enunciado

Leia o texto a seguir para responder à questão.
Quebrando o silêncio dos hospícios
Stella do Patrocínio, apesar de ser reconhecida postumamente
como poeta, nunca se definiu assim e não escreveu nenhuma
das linhas que estão no livro Reino dos bichos e dos animais é o
meu nome, pelo qual ficou conhecida. A potência de suas pa-
lavras se encontra no seu falatório (como chamava suas falas),
que foi preservado em fitas de áudio pela artista plástica Carla
Guagliardi. As conversas entre as duas foram gravadas durante
oficinas de arte para pacientes psiquiátricos, entre 1986 e 1988,
e o livro, publicado muitos anos depois da morte de Patrocínio,
é um recorte de frases dela, transcritas desses diálogos.
As falas de Patrocínio são de uma mulher negra e pobre que foi
levada à força pela polícia e internada, no Centro Pedro 2º e de-
pois na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, onde ficou
por trinta anos; quando morreu, foi enterrada como indigente.
A história de Patrocínio é a história de milhares de vítimas que
foram encarceradas nos hospícios brasileiros por serem conside-
radas “desajustadas”. Em sua maioria negras. Ali, elas sofreram
abusos, violências e torturas, além de serem abandonadas pelo
Estado.
(Adaptado de: Quebrando o silêncio dos hospícios. Quatro cinco um, 05/2022, p. 27.)
Examinando a relação do título com o corpo do excerto da re-
portagem de revista, o que representa a quebra do “silêncio
dos hospícios”?

Alternativas

  • A)

    A morte esquecida de Stella do Patrocínio em uma institui-
    ção para reclusão de pessoas com transtornos mentais (ou
    assim consideradas).

  • B)

    As oficinas de arte que permitiram a Stella do Patrocínio
    tornar pública a sua voz e as histórias de mulheres encarce-
    radas em instituições manicomiais.

  • C)

    O livro de Stella do Patrocínio que narra as histórias de mu-
    lheres vítimas de violência manicomial, abandonadas pelo
    Estado.

  • D)

    As falas gravadas de Stella do Patrocínio que expressam
    tanto o seu percurso individual quanto a história de outras
    mulheres.

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Perguntas frequentes

Qual a importância da obra de Stella do Patrocínio?

A obra de Stella do Patrocínio, registrada em áudio, documenta a vida de pacientes psiquiátricos no Brasil, denunciando abusos e violências. Sua fala poética e crítica dá visibilidade a vozes historicamente silenciadas.

Como era o tratamento em hospícios no Brasil?

Os hospícios brasileiros, como o Centro Pedro 2º e a Colônia Juliano Moreira, eram locais de encarceramento onde pessoas consideradas 'desajustadas' sofriam abusos, tortura e abandono estatal, especialmente mulheres negras e pobres.

O que significa 'quebrar o silêncio dos hospícios'?

Quebrar o silêncio dos hospícios significa trazer a público as histórias de violência e exclusão vividas por internos, combatendo o esquecimento e a invisibilidade impostos pelo sistema manicomial.

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