Sobre o tema
O soneto de Luís de Camões, publicado em 1595, é uma das mais conhecidas expressões do lirismo camoniano. Nele, o eu lírico, em exílio às margens do rio Eufrates, reflete sobre a perda de Sião (Jerusalém) e a impossibilidade de cantar a alegria passada. O poema dialoga diretamente com o dito popular 'quem canta seus males espanta', mas o subverte: quando a saudade é intensa, cantar não alivia, apenas lembra a morte. Camões utiliza a forma fixa do soneto (14 versos decassílabos, dois quartetos e dois tercetos) para explorar temas como memória, exílio e a função catártica da poesia. A obra é essencial para compreender a lírica portuguesa renascentista e a permanência de ditos populares na literatura erudita.
Tópicos relacionados
- Soneto camoniano
- Saudade na poesia
- Ditados populares na literatura
- Função catártica da poesia
- Exílio e memória
Enunciado
Na ribeira do Eufrates assentado,
Discorrendo me achei pela memória
Aquele breve bem, aquela glória,
Que em ti, doce Sião, tinha passado.
Da causa de meus males perguntado
Me foi: Como não cantas a história
De teu passado bem e da vitória
Que sempre de teu mal hás alcançado?
Não sabes, que a quem canta se lhe esquece
O mal, inda que grave e rigoroso?
Canta, pois, e não chores dessa sorte.
Respondi com suspiros: Quando cresce
A muita saudade, o piedoso
Remédio é não cantar senão a morte.
(Luís de Camões, 20 sonetos. Org. Sheila Hue. Campinas: Editora da
Unicamp, 2018, p.113).
Considerando as características formais e o núcleo
temático, é correto afirmar que o poema retoma o dito
popular
Alternativas
- A)
“longe dos olhos, perto do coração”.
- B)
“mais vale cantar mal que chorar bem”.
- C)
“a cada canto seu Espírito Santo”.
- D)
“quem canta seus males espanta”.
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Perguntas frequentes
O que é um soneto camoniano?
É um poema de 14 versos decassílabos, geralmente com dois quartetos e dois tercetos, que segue o esquema de rimas ABBA ABBA CDE CDE, frequentemente abordando temas amorosos, filosóficos ou existenciais. Camões foi um dos maiores mestres dessa forma.
Qual a origem do ditado 'quem canta seus males espanta'?
O provérbio popular, presente em diversas culturas, expressa a ideia de que o canto tem poder terapêutico para afastar tristezas. Camões o ressignifica ao mostrar que, em casos extremos, a própria atividade de cantar pode intensificar a dor.
Como Camões aborda a saudade em seus poemas?
A saudade camoniana é um sentimento de perda e desejo, frequentemente ligado ao exílio e à memória. Em poemas como 'Na ribeira do Eufrates', o poeta transforma a saudade em tema central, questionando sua própria capacidade de expressão diante da dor.
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