Ano 2018#history

Sobre o tema

A história ambiental do Brasil Colônia revela como práticas agrícolas indígenas e europeias diferiam em seus impactos ecológicos. Enquanto os indígenas mantinham sistemas diversificados que respeitavam o equilíbrio natural, como a rotação de culturas e o uso de policulturas, os colonizadores introduziram monoculturas em larga escala, utilizando ferramentas de ferro para desmatar. Essa homogeneização da flora favoreceu pragas como a formiga saúva, que encontrou nas lavouras de mandioca uma fonte abundante e contínua de alimento. A questão aborda essas diferenças, destacando como a agricultura comercial, apesar de incorporar conhecimentos indígenas, levou a desequilíbrios ambientais que inviabilizavam a ocupação humana. O tema é central para entender as interações entre sociedade e natureza no período colonial.

Tópicos relacionados

  • História ambiental do Brasil Colônia
  • Práticas agrícolas indígenas vs. europeias
  • Impacto das monoculturas na ecologia
  • Formiga saúva e desequilíbrio ecológico
  • Sistema de rotação de culturas indígena

Enunciado

As plantações de mandioca encontradas pelas saúvas
cortadeiras nas roças indígenas eram apenas uma entre
várias outras. Em muitas situações, a composição química
das folhas favorecia a escolha de outras plantas e a
folhagem da mandioca era cortada apenas quando as
preferidas das saúvas não eram suficientes. Já na
agricultura comercial, machados e foices de ferro
permitiam abrir clareiras em uma escala maior, resultando
em grande homogeneidade da flora. Nas lavouras de
mandioca de finais do século XVII e do início do século
XVIII, as folhas da mandioca tornavam-se uma das poucas
opções das formigas. Depois de mais algumas colheitas, a
infestação das formigas tornava-se insuportável, por vezes
causando o completo despovoamento humano da área.

(Adaptado de Diogo Cabral, 'O Brasil é um grande formigueiro’:
território, ecologia e a história ambiental da América Portuguesa –
parte 2. HALAC - História Ambiental Latinoamericana y Caribeña. Belo
Horizonte, v. IV, n. 1, p. 87-113, set. 2014-fev. 2015.)

A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos sobre
História do Brasil Colônia, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  • A)

    A principal diferença entre as lavouras indígenas e a
    agricultura comercial colonial estava no uso de
    queimadas pelos europeus, o que não era praticado
    pelas populações autóctones.

  • B)

    Comparadas à mandioca cultivada pelos indígenas, as
    novas espécies de mandioca trazidas da Europa eram
    menos resistentes às formigas cortadeiras, e por isso
    mais susceptíveis à infestação.

  • C)

    Os colonizadores introduziram no território colonial novas
    espécies de mandioca e milho, que desequilibraram o
    sistema agrícola ameríndio, baseado no sistema rotativo
    de plantação.

  • D)

    A agricultura comercial tendia à homogeneização da flora
    nas lavouras da América Portuguesa, combinando
    tradições europeias de plantio com práticas indígenas.

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Perguntas frequentes

Qual era a principal diferença entre a agricultura indígena e a colonial no Brasil?

A agricultura indígena era diversificada, com rotação de culturas e uso de policulturas, enquanto a colonial tendia à monocultura em larga escala, utilizando desmatamento intensivo com ferramentas de ferro.

Por que as formigas saúvas se tornaram um problema nas lavouras coloniais?

A homogeneização das lavouras, com poucas espécies plantadas, tornou as folhas de mandioca uma das poucas opções alimentares, causando superpopulação de saúvas e danos severos.

O que a história ambiental do Brasil Colônia pode nos ensinar sobre sustentabilidade?

Mostra que sistemas agrícolas diversos e adaptados ao ecossistema local são mais sustentáveis, enquanto monoculturas podem levar a pragas e abandono de terras.

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