Ano 2018#portuguese

Sobre o tema

A literatura marginal brasileira, representada por autores como Ferréz, emerge como uma forma de resistência cultural e social. Em seu manifesto "Terrorismo Literário", Ferréz defende que a literatura marginal é produzida por minorias raciais e socioeconômicas, à margem dos centros de poder e saber. Essa literatura busca dar voz a grupos historicamente silenciados, utilizando uma linguagem própria que reflete a realidade das periferias. A proposta de Ferréz não é separar a literatura, mas sim reconhecer a existência de uma produção cultural que sempre esteve excluída dos cânones tradicionais. Ao afirmar que "o barato já tá separado há muito tempo", ele critica a falsa neutralidade da literatura dominante e reivindica o espaço da marginalidade como legítimo e necessário para a expressão de uma maioria composta por minorias.

Tópicos relacionados

  • Literatura marginal brasileira
  • Ferréz e o manifesto Terrorismo Literário
  • Minoria como maioria na cultura periférica
  • Linguagem e identidade na literatura periférica
  • Crítica ao cânone literário tradicional

Enunciado

Leia, a seguir, um excerto de “Terrorismo Literário”, um
manifesto do escritor Ferréz.

A capoeira não vem mais, agora reagimos com a palavra,
porque pouca coisa mudou, principalmente para nós. A
literatura marginal se faz presente para representar a


cultura de um povo composto de minorias, mas em seu
todo uma maioria.
A Literatura Marginal, sempre é bom frisar, é uma literatura
feita por minorias, sejam elas raciais ou socioeconômicas.
Literatura feita à margem dos núcleos centrais do saber e
da grande cultura nacional, isto é, de grande poder
aquisitivo. Mas alguns dizem que sua principal
característica é a linguagem, é o jeito que falamos, que
contamos a história, bom, isso fica para os estudiosos.
Cansei de ouvir:  “Mas o que cês tão fazendo é separar
a literatura, a do gueto e a do centro”. E nunca cansarei de
responder:  “O barato já tá separado há muito tempo, foi
feito todo um mundo de teses e de estudos do lado de lá, e
do de cá mal terminamos o ensino dito básico.”

(Adaptado de Ferréz, “Terrorismo literário”, em Ferréz (Org.),
Literatura marginal: talentos da escrita periférica. Rio de Janeiro: Agir,
2005, p. 9,12,13.)

Ferréz defende sua proposta literária como uma

Alternativas

  • A)

    descoberta de que é preciso reagir com a palavra para
    que não haja separação entre a grande cultura nacional e
    a literatura feita por minorias.

  • B)

    comprovação de que, sendo as minorias de fato uma
    maioria, não faz sentido distinguir duas literaturas, uma do
    centro e outra da periferia.

  • C)

    manifestação de que a literatura marginal tem seu modo
    próprio de falar e de contar histórias, já reconhecido pelos
    estudiosos.

  • D)

    constatação de que é preciso reagir com a palavra e
    mostrar-se nesse lugar marginal como literatura feita por
    minorias que juntas formam uma maioria.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

O que é literatura marginal?

Literatura marginal é uma produção literária feita por autores de grupos minoritários, como periféricos, negros e pobres, que abordam suas realidades e usam uma linguagem própria, à margem do cânone tradicional.

Qual a importância do manifesto 'Terrorismo Literário' de Ferréz?

O manifesto é um marco para a literatura marginal brasileira, pois defende a legitimidade dessa produção e critica a exclusão histórica das vozes periféricas do cenário literário nacional.

Como Ferréz justifica a separação entre literatura do centro e da periferia?

Ferréz afirma que a separação já existe na prática, com a literatura dominante ignorando as periferias, e que sua proposta não cria uma divisão, mas sim reconhece e valoriza a produção marginal.

Questões relacionadas