Ano 2014

Sobre o tema

O Estatuto da OAB (Lei 8.906/94) estabelece os direitos e deveres do advogado, incluindo a postura diante de normas legais que contrariem a pretensão do cliente. O advogado não é mero executor da lei; possui autonomia para questionar a validade de normas, especialmente por meio do controle de constitucionalidade. Compreender essa possibilidade é essencial para a prática advocatícia, pois permite defender interesses do cliente sem violar a ética profissional. A questão aborda justamente o limite entre a obediência à lei e o dever de atuar em favor do cliente, destacando a importância da argumentação constitucional como ferramenta legítima.

Tópicos relacionados

  • Estatuto da OAB e deveres do advogado
  • Controle de constitucionalidade no exercício da advocacia
  • Limites da atuação contra texto expresso de lei
  • Recusa de causa e indicação de desistência
  • Princípio da indispensabilidade do advogado

Enunciado

Antônio recebe Paulo, um antigo cliente do escritório de advocacia onde presta serviços. Após a entrevista, o preenchimento de relatório com os dados pessoais do cliente e a requisição dos documentos necessários, Antônio realiza a análise final dois dias depois da entrevista com o cliente e verifica que existe norma legal que contraria, expressamente, a pretensão apresentada.
Sobre o caso, observadas as regras do Estatuto da OAB, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  • A)

    O advogado pode postular contra texto expresso de lei.

  • B)

    O advogado deve aconselhar o cliente a procurar o Ministério Público para propor ação contra a lei.

  • C)

    O advogado pode se opor à norma expressa, aduzindo a sua inconstitucionalidade.

  • D)

    O advogado deve indicar ao cliente a desistência da ação, por não portar solução para o problema.

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Perguntas frequentes

O advogado pode atuar contra texto expresso de lei?

Sim, desde que fundamente sua atuação na inconstitucionalidade da norma, pois o controle de constitucionalidade é um instrumento legítimo da advocacia.

Qual a diferença entre opor-se a uma lei e aconselhar a desistência da ação?

Opor-se significa questionar a validade da lei, enquanto aconselhar desistência implica reconhecer que não há solução jurídica, o que nem sempre é correto se houver fundamento constitucional.

O advogado é obrigado a aceitar qualquer causa?

Não. O advogado pode recusar causa que considere injusta ou sem fundamento, mas uma vez aceita, deve atuar com zelo, podendo inclusive arguir a inconstitucionalidade de leis.