Ano 2023#history

Sobre o tema

No início do século XX, o debate sobre o papel da mulher na sociedade brasileira ganhou destaque, especialmente em relação à sua educação e inserção no mercado de trabalho. A crônica de Carmem Dolores, publicada em 1906, reflete a tensão entre educar a mulher para o casamento ou para a autonomia profissional. Esse período marcou a lenta superação de preconceitos patriarcais, com a profissão de professora emergindo como uma das primeiras a oferecer reconhecimento social e independência financeira às mulheres. A feminização do magistério foi um fenômeno crucial, abrindo caminho para outras conquistas profissionais e sociais.

Tópicos relacionados

  • Feminização do magistério no Brasil
  • Mulheres no mercado de trabalho início século XX
  • Educação feminina e casamento na Primeira República
  • Preconceitos e trabalho feminino
  • Reconhecimento social da mulher trabalhadora

Enunciado

"O 'País' abriu quarta-feira em suas colunas o mais
interessante dos plebiscitos para solução de um importante
problema social: Como deve ser educada a mulher... Trata-se
de saber se devemos ser educadas para, pelo casamento,
sermos sustentadas pelo homem, ou para nos tornarmos
hábeis e prover à nossa própria subsistência pelo nosso único
trabalho. Se admitis a primeira hipótese, em que consiste a
educação feminina para o casamento? Se preferis a segunda,
quais são os gêneros de trabalho em que a mulher pode, sem
decair, ganhar a vida em nossa terra? (...) Esta forma de
educação requer toda uma ordem de conhecimento que não
sejam apenas frívolos. (...) Os nossos costumes, por isso
mesmo, são ingênuos e se apoiam em preconceitos e
tradições, não admitem ainda a mulher que trabalha. (...)
Assim mesmo as professoras já lograram subir um pouco na
cotação social. As médicas vão impondo-se pouco a pouco...".
Carmem Dolores. "A Semana". Rio de Janeiro, 08/04/1906. In:
VASCONCELLOS, Eliane (org.). Carmem Dolores. Crônicas, 1905-1910. Rio de
Janeiro: Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, 1998.
De acordo com o excerto, assinale a alternativa mais
adequada para expressar o processo de inserção das
mulheres no mundo do trabalho no início do século XX.

Alternativas

  • A)

    O patriarcalismo e o emprego do dote foram erradicados
    pelos protocolos jurídicos adotados no regime
    republicano, favorecendo o reconhecimento social do
    trabalho feminino.

  • B)

    A educação feminina dissociava-se das convenções
    vigentes na sociedade e dos padrões morais preconizados
    pelo catolicismo.

  • C)

    O reconhecimento social do trabalho feminino estava
    limitado à esfera pública, pois o espaço doméstico ainda
    permanecia marcado pela autoridade masculina.

  • D)

    O processo de feminização do magistério na escola básica
    proporcionou o reconhecimento do trabalho das mulheres
    e a conquista de novos papéis sociais.

  • E)

    A ruptura do preconceito para com o trabalho feminino
    nas fábricas, comércio, serviço público e profissões liberais
    se deu efetivamente após a conquista dos direitos
    políticos pelas mulheres, em 1934.

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Perguntas frequentes

Por que a profissão de professora foi uma das primeiras aceitas para mulheres no Brasil?

Porque o magistério era visto como uma extensão do papel materno e doméstico, sendo considerado moralmente adequado e menos ameaçador à ordem patriarcal.

Como a educação feminina era vista no início do século XX?

Havia um embate entre educar para o casamento, com ênfase em habilidades frívolas, ou para o trabalho, com conhecimentos práticos e científicos. A segunda opção começou a ganhar espaço com a feminização do magistério.

Qual o papel do patriarcalismo na inserção da mulher no trabalho?

O patriarcalismo impunha restrições morais e sociais, limitando as profissões consideradas adequadas para mulheres. Trabalhos como o magistério foram aceitos por não desafiarem diretamente a autoridade masculina no espaço doméstico.

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