Ano 2023#portuguese

Sobre o tema

Em análises gramaticais de textos, é comum deparar-se com construções que utilizam o pronome 'se' para indicar impessoalidade. Essas estruturas, como 'passa-se' e 'tenta-se', são típicas da voz passiva sintética ou do índice de indeterminação do sujeito. Compreender seu uso é essencial para identificar a estratégia discursiva do autor: ao empregar tais formas, ele evita apontar um agente específico, generalizando a ação e conferindo ao texto um tom de objetividade ou de crítica social. No trecho da obra de Jessé Souza, essas construções revelam como a linguagem pode mascarar relações de poder, ocultando os agentes da opressão. Dominar essa noção é crucial para interpretar corretamente textos acadêmicos e jornalísticos, especialmente em provas de vestibulares e concursos.

Tópicos relacionados

  • Voz passiva sintética com 'se'
  • Índice de indeterminação do sujeito
  • Impassividade em textos argumentativos
  • Análise sintática do pronome 'se'
  • Recursos linguísticos de impessoalidade

Enunciado


TEXTO PARA AS QUESTÕES 16 E 17
Luc Boltanski e Ève Chiapello demonstram com clareza e
sagacidade a capacidade antropofágica do capitalismo
financeiro que "engole" a linguagem do protesto e da
libertação para transformá-la e utilizá-la para legitimar a
dominação social e política a partir do próprio mercado.
Na dimensão do mundo do trabalho, por exemplo, todo
um novo vocabulário teve que ser inventado para escamotear
as novas transformações e melhor oprimir o trabalhador. Com
essa linguagem aparentemente libertadora, passa-se a
impressão de que o ambiente de trabalho melhorou e o
trabalhador se emancipou.
Assim houve um esforço dirigido para transformar o
trabalhador em "colaborador", para eufemizar e esconder a
consciência de sua superexploração; tenta-se também exaltar
os supostos valores de liderança para possibilitar que, a partir
de agora, o próprio funcionário, não mais o patrão, passe a
controlar e vigiar o colega de trabalho. Ou, ainda, há a intenção
de difundir a cultura do empreendedorismo, segundo a qual
todo mundo pode ser empresário de si mesmo. E, o mais
importante, se ele falhar nessa empreitada, a culpa é apenas
dele. É necessário sempre culpar individualmente a vítima pelo
fracasso socialmente construído.
SOUZA, Jessé. Como o racismo criou o Brasil. Rio de Janeiro: Estação Brasil,
2021.
O uso dos verbos "passar" (2º parágrafo) e "tentar"
(3º parágrafo) no texto, em sua forma pronominal, revela

Alternativas

  • A)

    adequação à forma analítica da voz passiva.

  • B)

    construção com conjunção integrante.

  • C)

    marcação da impessoalidade do discurso.

  • D)

    informalidade correspondente ao gênero discursivo.

  • E)

    ênfase na reciprocidade da linguagem.

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Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre voz passiva sintética e índice de indeterminação do sujeito?

Na voz passiva sintética, o verbo é transitivo direto e o 'se' é partícula apassivadora; o sujeito paciente aparece e concorda com o verbo. Já no índice de indeterminação, o verbo é intransitivo ou transitivo indireto e não há sujeito expresso; o 'se' indetermina o agente.

Como identificar se o 'se' é partícula apassivadora ou pronome reflexivo?

O 'se' apassivador ocorre com verbos transitivos diretos e pode ser substituído por uma voz passiva analítica (ex.: 'vende-se casa' = 'casa é vendida'). O 'se' reflexivo indica que o sujeito pratica e sofre a ação (ex.: 'ele se machucou').

Por que autores usam construções impessoais em textos críticos?

Para generalizar fenômenos sociais e evitar apontar agentes específicos, tornando a crítica mais abrangente e menos pessoal. Isso confere um tom de objetividade e denúncia estrutural, como no texto de Jessé Souza.

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