Ano 2020#portuguese

Enunciado

Cantiga de enganar
(...)
O mundo não tem sentido.
O mundo e suas canções
de timbre mais comovido
estão calados, e a fala
que de uma para outra sala
ouvimos em certo instante
é silêncio que faz eco
e que volta a ser silêncio
no negrume circundante.
Silêncio: que quer dizer?
Que diz a boca do mundo?
Meu bem, o mundo é fechado,
se não for antes vazio.
O mundo é talvez: e é só.
Talvez nem seja talvez.
O mundo não vale a pena,
mas a pena não existe.
Meu bem, façamos de conta.
De sofrer e de olvidar,
de lembrar e de fruir,
de escolher nossas lembranças
e revertê-las, acaso
se lembrem demais em nós.
Façamos, meu bem, de conta
- mas a conta não existe -
que é tudo como se fosse,
ou que, se fora, não era.
(...)
Em Claro Enigma, a ideia de engano surge sob a perspectiva
do sujeito maduro, já afastado das ilusões, como se lê no
verso-síntese "Tu não me enganas, mundo, e não te engano a
ti." ("Legado"). O excerto de "Cantiga de enganar" apresenta
a relação do eu com o mundo mediada

Alternativas

  • A)

    pela música, que ressoa em canções líricas.

  • B)

    pela cor, brilhante na claridade solar.

  • C)

    pela afirmação de valores sólidos.

  • D)

    pela memória, que corre fluida no tempo.

  • E)

    pelo despropósito de um faz-de-conta.

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