Sobre o tema
O oxímoro é uma figura de linguagem que combina palavras de sentido oposto, criando um efeito paradoxal. Em poemas de Fernando Pessoa, como o 'Sonetilho do falso Fernando Pessoa', essa figura é usada para expressar contradições existenciais. Ao lado do poema 'Ulisses', de Drummond, que também explora o mito e o nada, a questão aborda a identificação do oxímoro. Compreender essa figura é essencial para a análise literária, pois revela camadas de significado e a complexidade do pensamento poético. O estudo de figuras de linguagem, especialmente em poetas modernistas, enriquece a interpretação de textos e amplia a percepção estética.
Tópicos relacionados
- Oxímoro em Fernando Pessoa
- Figuras de linguagem na poesia
- Interpretação de poemas modernistas
- Paradoxo e contradição na literatura
- Análise de 'Sonetilho do falso Fernando Pessoa'
Enunciado
TEXTOS PARA AS QUESTÕES 68 E 69
Sonetilho do falso
Fernando Pessoa
Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.
5 Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto,
10 à deusa que se ri
deste nosso oaristo,
eis‐me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.
Carlos Drummond de Andrade.
Claro Enigma.
Ulisses
O mito é o nada que é tudo
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo ‐
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá‐la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
Fernando Pessoa. Mensagem.
conversa íntima entre casais. O oxímoro é uma "figura em que se combinam palavras de
sentido oposto que parecem excluir‐se mutuamente, mas que,
no contexto, reforçam a expressão" (HOUAISS, 2001). No
poema "Sonetilho do falso Fernando Pessoa", o emprego dessa
figura de linguagem ocorre em:
Alternativas
- A)
"Onde morri, existo" (L. 2).
- B)
"E das peles que visto / muitas há que não vi" (L. 3‐4).
- C)
"Desisto / de tudo quanto é misto / e que odiei ou senti"
(L. 6‐8). - D)
"à deusa que se ri / deste nosso oaristo" (L. 10‐11).
- E)
"mas não sou eu, nem isto" (L. 14).
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Perguntas frequentes
O que é oxímoro?
Oxímoro é uma figura de linguagem que consiste na combinação de palavras de sentido oposto, como 'silêncio ensurdecedor' ou 'amor ódio'.
Qual é um exemplo de oxímoro em Fernando Pessoa?
No poema 'Sonetilho do falso Fernando Pessoa', o verso 'Onde morri, existo' apresenta oxímoro ao unir 'morri' (morte) e 'existo' (vida).
Qual a diferença entre oxímoro e paradoxo?
O oxímoro é uma figura localizada, com duas palavras opostas juntas; o paradoxo é uma afirmação ou ideia mais ampla que parece contraditória.
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