Sobre o tema
O romance "São Bernardo", de Graciliano Ramos, é um marco do Modernismo brasileiro, conhecido por sua prosa seca e direta. No fragmento, o protagonista Paulo Honório critica o estilo rebuscado do jornalista Gondim, que defende que a literatura deve ser artificial e distinta da fala cotidiana. Esse debate reflete uma tensão central na literatura: a relação entre linguagem coloquial e norma culta. Graciliano, ao incorporar a oralidade em sua escrita, questiona o preciosismo linguístico e a artificialidade que afasta a arte da vida real. A questão explora como o diálogo entre os personagens expõe diferentes visões sobre o fazer literário, opondo a simplicidade da fala à complexidade estilística.
Tópicos relacionados
- Modernismo brasileiro e estilo literário
- Graciliano Ramos e a linguagem coloquial
- Norma culta versus oralidade na literatura
- Preciosismo linguístico na escrita
- Debate sobre a função da literatura
Enunciado
São Bernardo
Graciliano Ramos
— Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!
Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala.
— Não pode? — perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode.
— Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.
Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita que
Alternativas
- A)
diferencia a produção artística do registro padrão da língua.
- B)
aproxima a literatura de dialetos sociais de pouco prestígio.
- C)
defende a relação entre a fala e o estilo literário de um autor.
- D)
contrapõe o preciosismo linguístico a situações de coloquialidade.
- E)
associa o uso da norma culta à ocorrência de desentendimentos pessoais.
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Perguntas frequentes
O que é preciosismo linguístico na literatura?
Preciosismo linguístico é o uso exagerado de termos rebuscados e estruturas complexas, visando um estilo erudito que se distancia da fala cotidiana. Muitas vezes criticado por artificial, foi combatido por movimentos como o Modernismo brasileiro, que buscava uma linguagem mais próxima da realidade.
Como Graciliano Ramos retrata a oralidade em seus romances?
Graciliano incorpora a oralidade por meio de diálogos naturais, vocabulário regional e sintaxe próxima da fala, especialmente em personagens populares, sem abrir mão do rigor estético. Isso confere autenticidade e crítica social à sua obra.
Qual a importância do debate entre fala e escrita no Modernismo?
O Modernismo brasileiro valorizou a língua falada como expressão autêntica da cultura nacional, opondo-se ao academicismo. A discussão sobre se a literatura deve imitar a fala ou manter formalidades revela a busca por uma identidade literária própria e acessível.