Ano 2023#linguagens

Sobre o tema

Discursos de homenagem, como o proferido por Rui Barbosa na Academia Brasileira de Letras por ocasião da morte de Machado de Assis, frequentemente empregam recursos retóricos para exaltar a figura do homenageado. Entre esses recursos, a metáfora se destaca por permitir associações entre a trajetória pessoal e a produção criativa. No trecho, metáforas como 'aliança de ouro do teu segundo noivado' e 'reino dos mortos sobre os vivos' ligam a vida íntima e a obra literária de Machado, enfatizando a continuidade e a transformação pela morte. Compreender essas figuras de linguagem é essencial para interpretar textos de caráter laudatório, comuns em contextos acadêmicos e literários.

Tópicos relacionados

  • Recursos retóricos em discursos de homenagem
  • Metáforas na literatura brasileira
  • Rui Barbosa e Machado de Assis: contexto
  • Discurso de despedida na Academia Brasileira de Letras
  • Figuras de linguagem na prosa de Rui Barbosa

Enunciado

Mestre e companheiro, disse eu que nos íamos despedir. Mas disse mal. A morte não extingue: transforma; não aniquila; renova; não divorcia: aproxima. Um dia supuseste “morta e separada” a consorte dos teus sonhos e das tuas agonias, que te soubera “pôr um undo inteiro no recanto” do teu ninho; e, todavia, nunca ela te esteve mais presente, no íntimo de ti mesmo e na expressão do teu canto, no fundo do teu ser e na face de tuas ações. Esses catorze versos inimitáveis, em que o enlevo dos teus discípulos resume o valor de toda uma literatura, eram a aliança de ouro do teu segundo noivado, um anel de outras núpcias, para a vida nova do teu renascimento e da tua glorificação, com a sócia sem nódoa dos teus anos e de mocidade e madureza, da florescência e frutificação de tua alma. Para os eleitos do mundo das ideias a miséria está em decadência, e não na morte. A nobreza de uma nos preserva das ruínas de outra. Quando eles atravessavam essa passagem do invisível, que os conduz à região da verdade sem mescla, então é que entramos a sentir o começo do seu reino, o reino dos mortos sobre os vivos.
BARBOSA, R. O adeus da Academia a Machado de Assis. Rio de Janeiro: Agir, 1962.
Esse é um trecho do discurso de Rui Barbosa na Academia Brasileira de Letras em homenagem a Machado de Assis por ocasião de sua morte. Uma das características desse discurso de homenagem é a presença de

Alternativas

  • A)

    Metáforas relacionadas à trajetória pessoal e criadora do homenageado.

  • B)

    Recursos fonológicos empregados para a valorização do ritmo do texto.

  • C)

    Frases curtas e diretas no relato de vida e da morte do homenageado.

  • D)

    Contraposição de ideias presentes na obra do homenageado.

  • E)

    Seleção vocabular representativa do sentimento de nostalgia.

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Perguntas frequentes

O que caracteriza um discurso de homenagem?

Um discurso de homenagem é um texto laudatório que exalta as qualidades e feitos de uma pessoa, geralmente em ocasiões como falecimentos ou premiações, utilizando recursos retóricos como metáforas, antíteses e hipérboles para engrandecer o homenageado.

Qual a função das metáforas em textos literários?

As metáforas criam associações entre elementos diferentes, enriquecendo o significado e permitindo ao leitor ver relações novas. Elas são usadas para expressar ideias abstratas, como amor e morte, de forma concreta e poética.

Por que Rui Barbosa usou metáforas nesse discurso?

Rui Barbosa empregou metáforas para destacar a continuidade da obra de Machado de Assis além da morte, transformando a despedida em uma celebração da imortalidade literária e pessoal do homenageado.

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