Sobre o tema
O tupi, língua indígena que serviu de lingua franca no Brasil colonial, teve um papel decisivo na formação do português brasileiro, sobretudo no interior paulista. No século XVII, a isolação geográfica de São Paulo e o contato intenso com bandeirantes e escravos de diversas tribos criaram um dialeto híbrido, a língua geral do sul, que incorporou vocábulos tupi em nomes de lugares, objetos e fenômenos naturais. Esse processo de miscigenação lexical evidenciou a importância do tupi na construção do léxico brasileiro, influenciando desde topônimos até expressões do cotidiano. Entender essa interação é essencial para compreender a evolução do português no Brasil, bem como a preservação de elementos culturais indígenas em sua linguagem.
Tópicos relacionados
- Tupi como lingua franca no Brasil colonial
- Influência do tupi no vocabulário brasileiro
- Língua geral do sul e topônimos
- Interações indígenas e africanas no português brasileiro
Enunciado
A língua tupi no Brasil
Há 300 anos, morar na vila de São Paulo de Piratininga (peixe seco, em tupi) era quase sinônimo de falar língua de índio. Em cada cinco habitantes da cidade, só dois conheciam o português. Por isso, em 1698, o governador da província, Artur de Sá e Meneses, implorou a Portugal que só mandasse padres que soubessem “a língua geral dos índios”, pois “aquela gente não se explica em outro idioma”.
Derivado do dialeto de São Vicente, o tupi de São Paulo se desenvolveu e se espalhou no século XVII, graças ao isolamento geográfico da cidade e à atividade pouco cristã dos mamelucos paulistas: as bandeiras, expedições ao Sertão em busca de escravos índios. Muitos bandeirantes nem sequer falavam o português ou se expressavam mal. Domingos Jorge Velho, o paulista que destruiu o Ouilombo dos Palmares em 1694, foi descrito pelo bispo de Pernambuco como “um bárbaro que nem falar sabe”. Em suas andanças, essa gente batizou lugares como Avanhandava (lugar onde o índio corre), Pindamonhangaba (lugar de fazer anzol) e Itu (cachoeira). E acabou inventando uma nova língua. “
Os escravos dos bandeirantes vinham de mais de 100 tribos diferentes”, conta o historiador e antropólogo John Monteiro, da Universidade Estadual de Campinas. “Isso mudou o tupi paulista, que, além da influência do português, ainda recebia palavras de outros idiomas.” O resultado da mistura ficou conhecido como língua geral do sul, uma espécie de tupi facilitado.
ÂNGELO, C. Disponível em: <http://super.abril.com.br>. Acesso em: 8 ago. 2012. (Adaptado).
O texto trata de aspectos sócio-históricos da formação linguística nacional. Ouanto ao papel do tupinaformação do português brasileiro, depreende-se que essa língua indígena
Alternativas
- A)
Contribuiu efetivamente para o léxico, com nomes relativos aos traços característicos dos lugares designados.
- B)
Originou o português falado em São Paulo no século XVII, em cuja base gramatical também está a fala de variadas etnias indígenas.
- C)
Desenvolveu-se sob influência dos trabalhos de catequese dos padres portugueses, vindos de Lisboa.
- D)
Misturou-se aos falares africanos, em razão das interações entre portugueses e negros nas investidas contra o Ouilombo dos Palmares.
- E)
Expandiu-se paralelamente ao português falado pelo colonizador, e juntos originaram a língua dos bandeirantes paulistas.
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Perguntas frequentes
O tupi ainda é usado no português moderno?
Sim, muitos topônimos e palavras de uso cotidiano têm origem tupi, como "piranha", "tucano" e "maracujá".
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