Sobre o tema
Luiz Gama foi um dos mais importantes intelectuais e abolicionistas brasileiros do século XIX. Filho de uma africana livre, Luiza Mahin, que atuava como quitandeira e era suspeita de participar de planos de insurreição escrava, Gama ressalta em suas memórias a herança de resistência cultural transmitida por sua mãe. A narrativa destaca não apenas a recusa de Luiza Mahin ao batismo e à doutrina cristã, mas também sua altivez e envolvimento em movimentos de libertação. Essa postura evidencia como, mesmo em um contexto de opressão, africanos e seus descendentes mantinham práticas e valores que desafiavam a ordem escravista, configurando estratégias de resistência cultural fundamentais para a luta pela liberdade.
Tópicos relacionados
- Resistência cultural na escravidão
- Luiz Gama e o abolicionismo
- Africanos livres e insurreições
- Papel das quitandeiras na Bahia
- Herança africana no Brasil
Enunciado
Sou filho natural de uma negra, africana livre, da Costa da Mina (Nagô de Nação), de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa de estatura, magra, bonita, a cor era de um preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como a neve, era muito altiva, geniosa, insofrida. Dava-se ao comércio — era quitandeira, muito laboriosa e, mais de uma vez, na Bahia, foi presa como suspeita de envolver-se em planos de insurreição de escravos, que não tiveram efeito.
AZEVEDO, E. “Lá vai verso!”: Luiz Gama e as primeiras trovas burlescas de Getulino. In: CHALHOUB, S.; PEREIRA, L. A. M. A história contada: capítulos de história social da literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998 (adaptado).
Nesse trecho de suas memórias, Luiz Gama ressalta a importância dos(as)
Alternativas
- A)
Laços de solidariedade familiar.
- B)
Estratégias de resistência cultural.
- C)
Mecanismos de hierarquização tribal.
- D)
Instrumentos de dominação religiosa.
- E)
Limites da concessão de alforria.
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Perguntas frequentes
O que foi a resistência cultural dos escravizados no Brasil?
A resistência cultural dos escravizados envolvia a manutenção de línguas, religiões, práticas alimentares e formas de organização social de origem africana, além de estratégias como o quilombismo e a recusa à conversão religiosa imposta.
Quem foi Luiz Gama e qual sua importância?
Luiz Gama (1830-1882) foi um abolicionista, poeta e jornalista brasileiro, filho de uma africana livre. Ele usou sua atuação jurídica para libertar centenas de escravizados e foi um crítico ferrenho da monarquia e da escravidão.
Qual era o papel das quitandeiras na sociedade escravista?
As quitandeiras eram mulheres, muitas vezes africanas libertas, que vendiam alimentos nas ruas. Além de garantir sustento, elas atuavam como redes de informação e participavam de movimentos de resistência, como a Revolta dos Malês.