Ano 2017

Sobre o tema

A influência das línguas indígenas, especialmente o tupi, na formação do português brasileiro é um fenômeno histórico e linguístico de grande relevância. Durante o período colonial, o tupi não era apenas uma língua falada por nativos, mas também por colonizadores e bandeirantes, resultando em uma língua geral que deixou marcas profundas no vocabulário e na toponímia do Brasil. O texto destaca como o tupi paulista, influenciado por diversas etnias e pelo português, gerou nomes de lugares que descrevem características geográficas ou culturais, como Avanhandava e Pindamonhangaba. Compreender essa herança é essencial para entender a diversidade linguística e cultural do país.

Tópicos relacionados

  • Influência do tupi no português brasileiro
  • Toponímia de origem indígena no Brasil
  • Língua geral e bandeirantes paulistas
  • Formação histórica do léxico brasileiro

Enunciado

A língua tupi no Brasil

Há 300 anos, morar na vila de São Paulo de Piratininga (peixe seco, em tupi) era quase sinônimo de falar língua de índio. Em cada cinco habitantes da cidade, só dois conheciam o português. Por isso, em 1698, o governador da província, Artur de Sá e Meneses, implorou a Portugal que só mandasse padres que soubessem “a língua geral dos índios”, pois “aquela gente não se explica em outro idioma”.

Derivado do dialeto de São Vicente, o tupi de São Paulo se desenvolveu e se espalhou no século XVII, graças ao isolamento geográfico da cidade e à atividade pouco cristã dos mamelucos paulistas: as bandeiras, expedições ao Sertão em busca de escravos índios. Muitos bandeirantes nem sequer falavam o português ou se expressavam mal. Domingos Jorge Velho, o paulista que destruiu o Ouilombo dos Palmares em 1694, foi descrito pelo bispo de Pernambuco como “um bárbaro que nem falar sabe”. Em suas andanças, essa gente batizou lugares como Avanhandava (lugar onde o índio corre), Pindamonhangaba (lugar de fazer anzol) e Itu (cachoeira). E acabou inventando uma nova língua. “

Os escravos dos bandeirantes vinham de mais de 100 tribos diferentes”, conta o historiador e antropólogo John Monteiro, da Universidade Estadual de Campinas. “Isso mudou o tupi paulista, que, além da influência do português, ainda recebia palavras de outros idiomas.” O resultado da mistura ficou conhecido como língua geral do sul, uma espécie de tupi facilitado.

ÂNGELO, C. Disponível em: <http://super.abril.com.br>. Acesso em: 8 ago. 2012. (Adaptado).

O texto trata de aspectos sócio-históricos da formação linguística nacional. Ouanto ao papel do tupinaformação do português brasileiro, depreende-se que essa língua indígena

Alternativas

  • A)

    Contribuiu efetivamente para o léxico, com nomes relativos aos traços característicos dos lugares designados.

  • B)

    Originou o português falado em São Paulo no século XVII, em cuja base gramatical também está a fala de variadas etnias indígenas.

  • C)

    Desenvolveu-se sob influência dos trabalhos de catequese dos padres portugueses, vindos de Lisboa.

  • D)

    Misturou-se aos falares africanos, em razão das interações entre portugueses e negros nas investidas contra o Ouilombo dos Palmares.

  • E)

    Expandiu-se paralelamente ao português falado pelo colonizador, e juntos originaram a língua dos bandeirantes paulistas.

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Perguntas frequentes

Como o tupi contribuiu para o português brasileiro?

O tupi contribuiu principalmente com vocábulos do cotidiano, nomes de lugares (topônimos), plantas, animais e objetos, enriquecendo o léxico do português falado no Brasil.

O que foi a língua geral no Brasil colonial?

A língua geral era uma adaptação do tupi antigo, difundida por jesuítas e bandeirantes, que serviu como língua franca entre índios, colonos e mamelucos, especialmente em São Paulo e regiões do Sul.

Por que muitos lugares no Brasil têm nomes de origem tupi?

Durante as bandeiras, os exploradores batizavam os locais com palavras tupi que descreviam características geográficas ou eventos, como rios, cachoeiras e montanhas, prática que se perpetuou na toponímia brasileira.