Ano 2016#linguagens

Sobre o tema

A crônica é um gênero textual que mescla narrativa e reflexão, frequentemente publicada em jornais e revistas. Nela, o autor expressa uma visão pessoal sobre o cotidiano, utilizando recursos estilísticos para envolver o leitor. Um desses recursos é a repetição de estruturas sintáticas, como no fragmento de Affonso Romano de Sant'Anna, que emprega o anafórico 'Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que…' para criar um efeito de insistência e nostalgia. Essa estratégia argumentativa visa sensibilizar o leitor, contrastando um passado idealizado com o presente, e não apenas informar ou convencer sobre fatos. Compreender a função da repetição em textos argumentativos é essencial para a análise de discursos e para provas como o ENEM.

Tópicos relacionados

  • Função da repetição em textos argumentativos
  • Gênero crônica: características e análise
  • Recursos estilísticos na construção do sentido
  • Nostalgia como estratégia discursiva
  • Interpretação de texto no ENEM

Enunciado

Você pode não acreditar

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite do lado de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela.
A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo, de manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que alguém pudesse roubar aquilo.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na janela que dava para a rua. A gente passava e via aquilo como uma coisa normal.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que você saía à noite para namorar e voltava andando pelas ruas da cidade, caminhando displicentemente, sentindo cheiro de jasmim e de alecrim, sem olhar para trás, sem temer as sombras.
Você pode não acreditar: houve um tempo em que as pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da tarde ou à noite, Contavam casos, tomavam café, falavam da saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de bonde às suas casas.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o namorado primeiro ficava andando com a moça numa rua perto da casa dela, depois passava a namorar no portão, depois tinha ingresso na sala da família. Era sinal de que já estava praticamente noivo e seguro.
Houve um tempo em que havia tempo.
Houve um tempo.

SANT’ANNA, A. R. Estado de Minas. 5 maio 2013 (fragmento).

Nessa crônica, a repetição do trecho “Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que…” configura-se como uma estratégia argumentativa que visa

Alternativas

  • A)

    Surpreender o leitor com a descrição do que as pessoas faziam durante o seu tempo livre antigamente.

  • B)

    Sensibilizar o leitor sobre o modo como as pessoas se relacionavam entre si num tempo mais aprazível.

  • C)

    Advertir o leitor mais jovem sobre o mau uso que se faz do tempo nos dias atuais.

  • D)

    Incentivar o leitora organizar melhor o seu tempo sem deixar de ser nostálgico.

  • E)

    Convencer o leitor sobre a veracidade de fatos relativos à vida no passado.

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Perguntas frequentes

O que é anáfora em textos literários?

Anáfora é a repetição de uma ou mais palavras no início de versos ou frases, usada para dar ênfase, ritmo ou coesão ao texto.

Qual a diferença entre crônica e conto?

A crônica é um texto curto, geralmente sobre temas do cotidiano, com tom pessoal e reflexivo; o conto é uma narrativa ficcional mais estruturada, com enredo e personagens.

Como identificar a tese em um texto argumentativo?

A tese é a ideia central que o autor defende, geralmente expressa no início ou no final do texto, e sustentada por argumentos ao longo do desenvolvimento.

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