Ano 2016

Sobre o tema

O filme _Menina de ouro_ ilustra o conflito entre normas de gênero e a prática esportiva, especificamente no boxe, tradicionalmente associado à masculinidade. A personagem Maggie Fitzgerald desafia a concepção hegemônica de feminilidade, que historicamente impõe submissão e fragilidade às mulheres. Ao buscar se tornar boxeadora, ela transgride barreiras sociais que reservam certas atividades aos homens. Esse tema é central nos estudos de gênero, que analisam como esportes de contato podem ser espaços de resistência e redefinição de identidades. A questão aborda a construção de feminilidades plurais, mostrando que a participação feminina em modalidades 'masculinas' não anula a feminilidade, mas a expande.

Tópicos relacionados

  • Gênero e educação física
  • Feminilidade hegemônica
  • Mulheres no boxe
  • Desconstrução de estereótipos esportivos
  • Representação de gênero na mídia

Enunciado

O filme _Menina de ouro_ conta a história de Maggie Fitzgerald, uma garçonete de 31 anos que vive sozinha em condições humildes e sonha em se tornar uma boxeadora profissional treinada por Frankie Dunn.
Em uma cena, assim que o treinador atravessa a porta do corredor onde ela se encontra, Maggie o aborda e, a caminho da saída, pergunta a ele se está interessado em treiná-la. Frankie responde: “Eu não treino garotas”. Após essa fala, ele vira as costas e vai embora. Aqui, percebemos, em Frankie, um comportamento ancorado na representação de que boxe é esporte de homem e, em Maggie, a superação da concepção de que os ringues são tradicionalmente masculinos.
Historicamente construída, a feminilidade dominante atribui a submissão, a fragilidade e a passividade a uma “natureza feminina”. Numa concepção hegemônica dos gêneros, feminilidades e masculinidades encontram-se em extremidades opostas.
No entanto, algumas mulheres, indiferentes às convenções sociais, sentem-se seduzidas e desafiadas a aderirem à prática das modalidades consideradas masculinas. É o que observamos em Maggie, que se mostra determinada e insiste em seu objetivo de ser treinada por Frankie.

FERNANDES, V.; MOURÃO, L. Menina de ouro e a representação de feminilidades plurais.
Movimento, n. 4, out.-dez. 2014 (adaptado).

A inserção da personagem Maggie na prática corporal do boxe indica a possibilidade da construção de uma feminilidade marcada pela

Alternativas

  • A)

    Adequação da mulher a uma modalidade esportiva alinhada a seu gênero.

  • B)

    Valorização de comportamentos e atitudes normalmente associados à mulher.

  • C)

    Transposição de limites impostos à mulher num espaço de predomínio masculino.

  • D)

    Aceitação de padrões sociais acerca da participação da mulher nas lutas corporais.

  • E)

    Naturalização de barreiras socioculturais responsáveis pela exclusão da mulher no boxe.

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Perguntas frequentes

O que são feminilidades plurais?

Feminilidades plurais referem-se à diversidade de modos de ser mulher, rompendo com o modelo único e hegemônico que associa feminilidade à passividade e fragilidade. No esporte, isso inclui mulheres que praticam modalidades consideradas masculinas.

Como o esporte pode desafiar normas de gênero?

O esporte desafia normas de gênero ao permitir que mulheres ocupem espaços tradicionalmente masculinos, como ringues de boxe, demonstrando força e agressividade, características antes vistas como exclusivamente masculinas.

Qual o papel da mídia na representação de gênero no esporte?

A mídia pode tanto reforçar estereótipos quanto desconstruí-los. Filmes como _Menina de ouro_ mostram mulheres em papéis ativos, ajudando a normalizar a participação feminina em esportes de contato.