Sobre o tema
O trecho de Descartes critica a aprendizagem meramente memorística e defende que o verdadeiro conhecimento exige a capacidade de formular juízos próprios. Para o filósofo, não basta acumular informações ou decorar demonstrações alheias; é necessário que o sujeito seja capaz de resolver problemas e avaliar argumentos de forma autônoma. Essa visão está inserida no racionalismo cartesiano, que valoriza a razão individual como fundamento do saber. Descartes propõe um método baseado na dúvida metódica para alcançar certezas indubitáveis, rejeitando a autoridade da tradição. Assim, o conhecimento verdadeiro resulta da atividade crítica do próprio intelecto, e não da simples reprodução de ideias recebidas.
Tópicos relacionados
- Racionalismo cartesiano
- Método da dúvida
- Cogito ergo sum
- Autonomia do sujeito pensante
- Crítica à tradição intelectual
Enunciado
Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias.
DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da
Alternativas
- A)
Investigação de natureza empírica.
- B)
Retomada da tradição intelectual.
- C)
Imposição de valores ortodoxos.
- D)
Autonomia do sujeito pensante.
- E)
Liberdade do agente moral.
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Perguntas frequentes
O que é o cogito cartesiano?
É a primeira certeza alcançada por Descartes após aplicar a dúvida metódica: 'Penso, logo existo'. Representa a existência do sujeito pensante como fundamento do conhecimento.
Como Descartes critica o conhecimento baseado na tradição?
Descartes considera que a tradição pode conter erros e preconceitos. Por isso, propõe duvidar de tudo que não seja evidente à razão, construindo o conhecimento a partir de ideias claras e distintas.
Qual a importância da autonomia do sujeito para o conhecimento em Descartes?
A autonomia é essencial porque o conhecimento verdadeiro não pode ser herdado ou aceito passivamente; deve ser construído ativamente pelo sujeito mediante o uso correto da razão.