Sobre o tema
O trecho de 'O Ateneu', de Raul Pompéia, revela a crítica à mercantilização da educação no Brasil do século XIX. A obra, de cunho realista-naturalista, denuncia como o colégio se tornou um negócio, pautado por propaganda agressiva e produção em massa de materiais didáticos. O diretor Aristarco é retratado como figura vaidosa e empreendedora, mais preocupada com lucro e prestígio do que com a formação dos alunos. Essa perspectiva evidencia a ideologia mercantil que começava a permear as instituições de ensino, transformando-as em máquinas de rentabilidade.
Tópicos relacionados
- Mercantilização da educação
- Raul Pompéia e o Naturalismo
- Crítica social em O Ateneu
- Propaganda educacional
- Vaidade pessoal na gestão escolar
Enunciado
Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti.
Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação.
Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios.
O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. Eram boletins de propaganda pelas províncias, conferências em diversos pontos da cidade, a pedidos, à substância, atochando a imprensa dos lugarejos, caixões, sobretudo, de livros elementares, fabricados às pressas com o ofegante e esbaforido concurso de professores prudentemente anônimos, caixões e mais caixões de volumes cartonados em Leipzig, inundando as escolas públicas de toda a parte com a sua invasão de capas azuis, róseas, amarelas, em que o nome de Aristarco, inteiro e sonoro, oferecia-se ao pasmo venerador dos esfaimados de alfabeto dos confins da pátria. Os lugares que não procuravam eram um belo dia surpreendidos pela enchente, gratuita, espontânea, irresistível! E não havia senão aceitar a farinha daquela marca para o pão do espírito.
POMPÉIA, R. O Ateneu. São Paulo: Scipione, 2005.
Ao descrever o Ateneu e as atitudes de seu diretor, o narrador revela um olhar sobre a inserção social do colégio demarcado pela:
Alternativas
- A)
Ideologia mercantil da educação, repercutida nas vaidades pessoais.
- B)
Interferência afetiva das famílias, determinantes no processo educacional.
- C)
Produção pioneira de material didático, responsável pela facilitação do ensino.
- D)
Ampliação do acesso à educação, com a negociação dos custos escolares.
- E)
Cumplicidade entre educadores e famílias, unidos pelo interesse comum do avanço social.
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Perguntas frequentes
O que é a mercantilização da educação em 'O Ateneu'?
É a transformação do colégio em um negócio lucrativo, onde a propaganda e o lucro prevalecem sobre a qualidade do ensino, como mostra a figura do diretor Aristarco.
Qual o papel do diretor Aristarco na crítica social do romance?
Aristarco representa o educador empreendedor que usa marketing e produção em massa de livros para engrandecer seu nome, revelando a vaidade e o interesse econômico por trás da suposta missão pedagógica.
Como a propaganda é retratada no colégio?
A propaganda é intensa e enganosa, utilizando boletins, conferências e distribuição gratuita de livros para invadir o mercado, como uma estratégia comercial, e não educacional.