Ano 2014

Sobre o tema

A crônica de Dalton Trevisan, conhecido como o 'Vampiro de Curitiba', aborda relações de vizinhança com um tom marcadamente irônico. Trevisan utiliza diálogos diretos e situações cotidianas para expor a hipocrisia e a malícia nas interações humanas. A ironia é um recurso expressivo que crítica sutilmente comportamentos, sem recorrer à moralização explícita. Neste fragmento, o adultério é tratado de forma leve e cômica, mas revela a fragilidade dos laços sociais. A escolha lexical e as repetições enfatizam o caráter jocoso e crítico da narrativa, característica da obra do autor. Compreender a ironia como ferramenta literária é essencial para interpretar textos que, sob a aparência de simplicidade, carregam uma análise profunda da sociedade.

Tópicos relacionados

  • Ironia como recurso literário
  • Crônica de Dalton Trevisan
  • Relações de vizinhança na literatura
  • Recursos expressivos em textos narrativos
  • Interpretação de textos literários

Enunciado

O negócio

Grande sorriso do canino de ouro, o velho Abílio propõe às donas que se abastecem de pão e banana:
— Como é o negócio?
De cada três dá certo com uma. Ela sorri, não responde ou é uma promessa a recusa:
— Deus me livre, não! Hoje não…
Abílio interpelou a velha:
— Como é o negócio?
Ela concordou e, o que foi melhor, a filha também aceitou o trato. Com a dona Julietinha foi assim. Ele se chegou:
— Como é o negócio?
Ela sorriu, olhinho baixo. Abílio espreitou o cometa partir. Manhã cedinho saltou a cerca. Sinal combinado, duas batidas na porta da cozinha. A dona saiu para o quintal, cuidadosa de não acordar os filhos. Ela trazia a capa de viagem, estendida na grama orvalhada.
O vizinho espionou os dois, aprendeu o sinal. Decidiu imitar a proeza. No crepúsculo, pum-pum, duas pancadas fortes na porta. O marido em viagem, mas não era dia do Abílio. Desconfiada, a moça surgiu à janela e o vizinho repetiu:
— Como é o negócio?

Diante da recusa, ele ameaçou:

— Então você quer o velho e não quer o moço? Olhe que eu conto!

TREVISAN, D. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro: Record, 1979 (fragmento).

Quanto à abordagem do tema e aos recursos expressivos, essa crônica tem um caráter

Alternativas

  • A)

    Filosófico, pois reflete sobre as mazelas sofridas pelos vizinhos.

  • B)

    Lírico, pois relata com nostalgia o relacionamento da vizinhança.

  • C)

    Irônico, pois apresenta com malícia a convivência entre vizinhos.

  • D)

    Crítico, pois deprecia o que acontece nas relações de vizinhança.

  • E)

    Didático, pois expõe uma conduta a ser evitada na relação entre vizinhos.

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Perguntas frequentes

O que é ironia na literatura?

Ironia é uma figura de linguagem que consiste em dizer o contrário do que se pensa, geralmente com intenção crítica ou humorística. É muito usada para expor contradições sociais ou comportamentos hipócritas.

Quem é Dalton Trevisan?

Dalton Trevisan é um escritor brasileiro conhecido por suas crônicas e contos que retratam a vida urbana em Curitiba, com estilo seco e irônico. Sua obra frequentemente aborda temas como adultério, solidão e hipocrisia.

Como identificar o tom de uma crônica?

Para identificar o tom, observe o vocabulário, as figuras de linguagem, a pontuação e a forma como os personagens são descritos. A ironia, por exemplo, pode ser percebida por contrastes entre o que é dito e o que é sugerido.