Ano 2013#linguagens

Sobre o tema

Clarice Lispector é uma das vozes mais singulares da literatura brasileira, conhecida por sua prosa intimista e reflexiva. Em "A hora da estrela", seu último romance, a autora explora a metalinguagem e a crise do narrador, que questiona o próprio ato de escrever e o sentido da existência. O fragmento apresentado ilustra bem essa característica: o narrador não apenas conta uma história, mas reflete sobre o processo criativo, a natureza do tempo e a busca por significado. Essa abordagem é central para entender a modernidade literária, que valoriza a subjetividade e a autorreflexão. A questão cobra do aluno a capacidade de identificar a voz narrativa peculiar de Clarice, marcada pela introspecção e pela indagação filosófica.

Tópicos relacionados

  • Narrador metalinguístico em Clarice Lispector
  • Características da prosa intimista
  • Filosofia existencial na literatura
  • Análise de "A hora da estrela"
  • Voz narrativa e subjetividade

Enunciado

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
\[…\]
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré- pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo. \[…\] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.
Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual — há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo — como a morte parece dizer sobre a vida — porque preciso registrar os fatos antecedentes.

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (fragmento).

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador

Alternativas

  • A)

    Observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens.

  • B)

    Relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.

  • C)

    Revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.

  • D)

    Admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.

  • E)

    Propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.

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Perguntas frequentes

O que é um narrador metalinguístico?

É um narrador que reflete sobre o próprio ato de narrar, comentando o processo de escrita e a construção da história, como ocorre em Clarice Lispector.

Qual a importância de "A hora da estrela" na literatura brasileira?

É considerada uma obra-prima por abordar temas existenciais e sociais com uma linguagem inovadora, marcando a maturidade literária de Clarice.

Como Clarice Lispector utiliza a filosofia em sua obra?

Ela insere questionamentos filosóficos sobre a vida, a morte e a identidade, integrando-os à narrativa de forma orgânica, sem se tornar um tratado.

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