Sobre o tema
Clarice Lispector é uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX, conhecida por sua prosa introspectiva e inovadora. Em "A hora da estrela", seu último romance, ela explora a metaficção e a reflexão existencial, criando um narrador que questiona o próprio ato de escrever e o sentido da vida. O fragmento apresentado revela essa peculiaridade ao mostrar um narrador que reflete sobre a origem das coisas, o tempo e a construção narrativa, característica marcante de sua obra. A questão exige identificar como essa voz narrativa se diferencia, destacando sua natureza reflexiva e filosófica.
Tópicos relacionados
- Clarice Lispector e a literatura brasileira
- Metaficção em A hora da estrela
- Narrador reflexivo e existencial
- Características da prosa clariceana
- Questões de filosofia na literatura
Enunciado
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
\[…\]
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré- pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo. \[…\] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.
Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual — há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo — como a morte parece dizer sobre a vida — porque preciso registrar os fatos antecedentes.
LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (fragmento).
A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador
Alternativas
- A)
Observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens.
- B)
Relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.
- C)
Revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.
- D)
Admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.
- E)
Propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.
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Perguntas frequentes
O que é metaficção na literatura?
Metaficção é um recurso narrativo no qual a obra reflete sobre sua própria construção, chamando a atenção para o ato de escrever e o papel do narrador. Clarice Lispector usa essa técnica para questionar a realidade e a ficção.
Qual a importância de Clarice Lispector para a literatura brasileira?
Clarice Lispector revolucionou a prosa brasileira com sua linguagem poética e subjetiva, explorando temas existenciais e psicológicos. Ela é considerada uma das maiores escritoras do país, influenciando gerações.
Como o narrador de A hora da estrela se diferencia dos narradores tradicionais?
O narrador de A hora da estrela é reflexivo e metalinguístico, constantemente questionando o processo de escrita e o sentido da história. Ele não se limita a narrar fatos, mas também analisa suas próprias dúvidas e motivações.