Ano 2013

Sobre o tema

A função metalinguística da linguagem, conforme proposta por Roman Jakobson, ocorre quando o código linguístico é usado para falar sobre si mesmo. Na literatura, essa função é frequentemente explorada para refletir sobre o processo de criação artística, questionando os limites e as possibilidades da expressão. O poema 'Lusofonia' de Nuno Júdice exemplifica essa autorreflexão ao abordar as diferenças semânticas da palavra 'rapariga' entre Portugal e Brasil, revelando como o contexto cultural influencia a recepção da obra. Esse tipo de metalinguagem não apenas enriquece o texto, mas também convida o leitor a considerar a complexidade da comunicação e da arte. Compreender essa função é essencial para a análise literária e para a interpretação de textos que problematizam a própria linguagem.

Tópicos relacionados

  • Funções da linguagem de Jakobson
  • Metalinguagem na poesia
  • Diferenças lexicais entre variantes do português
  • Autorreflexão na literatura

Enunciado

Lusofonia

_rapariga:_ s.f., fem. de rapaz: mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.

Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada
no café, em frente da chávena de café, enquanto
alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este
poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra
rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal. Então,
terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,
a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga
que alisa os cabelos com a mão, num café de lisboa, não
fique estragada para sempre quando este poema atravessar o
atlântico para desembarcar no rio de janeiro. E isto tudo
sem pensar em áfrica, porque aí lá terei
de escrever sobre a moça do café, para
evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é
uma palavra que já me está a pôr com dores
de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria
era escrever um poema sobre a rapariga do
café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a
escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma
rapariga se pode sentar à mesa porque só servem café ao balcão.

JÚDICE, N. Matéria do Poema. Lisboa: D. Quixote, 2008.

O texto traz em relevo as funções metalinguística e poética. Seu caráter metalinguístico justifica-se pela

Alternativas

  • A)

    Discussão da dificuldade de se fazer arte inovadora no mundo contemporâneo.

  • B)

    Defesa do movimento artístico da pós-modernidade, típico do século XX.

  • C)

    Abordagem de temas do cotidiano, em que a arte se volta para assuntos rotineiros.

  • D)

    Tematização do fazer artístico, pela discussão do ato de construção da própria obra.

  • E)

    Valorização do efeito de estranhamento causado no público, o que faz a obra ser reconhecida.

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Perguntas frequentes

O que é a função metalinguística?

É a função da linguagem que se concentra no próprio código, ou seja, quando a mensagem fala sobre a língua, explicando ou refletindo sobre ela.

Como a metalinguagem aparece na poesia?

A metalinguagem surge quando o poema discute o ato de escrever, o significado das palavras ou as dificuldades da expressão poética, tornando o processo criativo parte do tema.

Qual a diferença entre função poética e metalinguística?

A função poética foca na mensagem em si, valorizando a forma e a estética; já a metalinguística foca no código, explicando ou questionando a própria linguagem.