Ano 2012#linguagens

Sobre o tema

O romance "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto, é uma obra-prima do Pré-Modernismo brasileiro que critica o nacionalismo ufanista e o mito da pátria idealizada. Publicado em 1911, o livro narra a trajetória de Policarpo Quaresma, um funcionário público que, movido por um patriotismo ingênuo, tenta promover a cultura tupi, a agricultura e a pureza linguística, mas se depara com a realidade dura e a incompreensão alheia. A obra denuncia o descompasso entre o Brasil real e o Brasil imaginado pelas elites, abordando temas como identidade nacional, frustração ideológica e crítica social. A análise do fragmento revela como a construção de uma pátria mítica leva à decepção, tema central da questão.

Tópicos relacionados

  • Pré-Modernismo brasileiro
  • Lima Barreto e crítica social
  • Nacionalismo ufanista na literatura
  • Triste Fim de Policarpo Quaresma
  • Mito da pátria idealizada

Enunciado

Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem… Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada… O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das coisas do tupi, do _folk-lore_, das suas tentativas agrícolas… Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma!

O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa, o escárnio; e levou-o à loucura. Uma decepção. E a agricultura? Nada. As terras não eram ferazes e ela não era fácil como diziam os livros. Outra decepção. E, quando o seu patriotismo se fizera combatente, o que achara? Decepções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? Pois não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, uma série, melhor, um encadeamento de decepções.

A pátria que quisera ter era um mito; um fantasma criado por ele no silêncio de seu gabinete.

BARRETO, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 8 nov. 2011.

O romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, foi publicado em 1911. No fragmento destacado, a reação do personagem aos desdobramentos de suas iniciativas patrióticas evidencia que

Alternativas

  • A)

    A dedicação de Policarpo Quaresma ao conhecimento da natureza brasileira levou-o a estudar inutilidades, mas possibilitou-lhe uma visão mais ampla do país.

  • B)

    A curiosidade em relação aos heróis da pátria levou-o ao ideal de prosperidade e democracia que o personagem encontra no contexto republicano.

  • C)

    A construção de uma pátria a partir de elementos míticos, como a cordialidade do povo, a riqueza do solo e a pureza linguística, conduz à frustração ideológica.

  • D)

    A propensão do brasileiro ao riso, ao escárnio, justifica a reação de decepção e desistência de Policarpo Quaresma, que prefere resguardar-se em seu gabinete.

  • E)

    A certeza da fertilidade da terra e da produção agrícola incondicional faz parte de um projeto ideológico salvacionista, tal como foi difundido na época do autor.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

O que é o Pré-Modernismo brasileiro?

É um período literário de transição entre o simbolismo e o modernismo (aproximadamente 1902-1922), marcado por obras que denunciam problemas sociais e políticos do Brasil, como a miséria, o coronelismo e o nacionalismo ufanista.

Qual a principal crítica de Lima Barreto em 'Triste Fim de Policarpo Quaresma'?

A obra critica o nacionalismo ingênuo e ufanista, mostrando como a idealização da pátria leva à frustração. Lima Barreto expõe o abismo entre o Brasil real e o Brasil imaginado pelas elites.

O que significa 'mito da pátria' no contexto da obra?

Refere-se à construção idealizada e fantasiosa de um país perfeito, com povo cordial, solo fértil e cultura pura, que não corresponde à realidade. Policarpo Quaresma acredita nesse mito e sofre ao confrontá-lo com a verdade.

Questões relacionadas