Sobre o tema
O poema "O trovador", de Mário de Andrade, é um exemplo emblemático da preocupação modernista com a identidade nacional brasileira. Publicado em 1925, insere-se no contexto da primeira fase do Modernismo, marcada pela busca de uma linguagem e temática genuinamente brasileiras. Andrade, em sua poesia, frequentemente justapõe elementos da cultura indígena, do folclore e da tradição erudita europeia, criando um mosaico que reflete a complexidade do Brasil. A oposição entre o "tupi" (selvagem) e o "alaúde" (civilizado) no poema dialoga diretamente com o conceito de antropofagia cultural, proposto por Oswald de Andrade no Manifesto Antropófago (1928). Esse movimento intelectual pregava a "deglutição" simbólica da cultura europeia, transformando-a em algo novo e autenticamente brasileiro. Compreender essa síntese é fundamental para analisar não apenas a obra de Mário de Andrade, mas todo o projeto modernista de construção de uma identidade nacional.
Tópicos relacionados
- Modernismo brasileiro
- Identidade nacional na literatura
- Antropofagia cultural
- Mário de Andrade e a poesia modernista
- Manifesto Antropófago
Enunciado
O trovador
Sentimentos em mim do asperamente
dos homens das primeiras eras…
As primaveras do sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequinal…
Intermitentemente…
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som redondo…
Cantabona! Cantabona!
Dlorom…
Sou um tupi tangendo um alaúde!
ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.
Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em O trovador, esse aspecto é
Alternativas
- A)
Abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal” que, evocando o carnaval, remete à brasilidade.
- B)
Verificado já no título, que remete aos repentistas nordestinos, estudados por Mário de Andrade em suas viagens e pesquisas folclóricas.
- C)
Lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como “Sentimentos em mim do asperamente” (v. 1), “frio” (v. 6), “alma doente” (v. 7), como pelo som triste do alaúde “Dlorom” (v. 9).
- D)
Problematizado na oposição tupi (selvagem) x alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.
- E)
Exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por suas raízes indígenas.
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Perguntas frequentes
O que é o Manifesto Antropófago?
O Manifesto Antropófago, escrito por Oswald de Andrade em 1928, propõe a 'deglutição' simbólica da cultura europeia para criar uma cultura brasileira autêntica, misturando influências estrangeiras com elementos nativos.
Como Mário de Andrade aborda a identidade nacional em sua poesia?
Mário de Andrade aborda a identidade nacional mesclando referências indígenas, folclóricas e populares com formas eruditas, buscando uma síntese que represente o Brasil múltiplo e contraditório.
Qual a importância da poesia modernista para a cultura brasileira?
A poesia modernista rompeu com os padrões acadêmicos e valorizou a linguagem coloquial, o regionalismo e a diversidade cultural, contribuindo para a afirmação de uma identidade nacional plural e contemporânea.