Ano 2012

Sobre o tema

O processo histórico de substituição de 'haver' por 'ter' em construções existenciais no português brasileiro ilustra como as línguas evoluem naturalmente. Esse fenômeno, documentado desde o século XVI, reflete a dinâmica da mudança linguística e desafia visões puristas que defendem uma norma única e imutável. Compreender essa substituição é essencial para estudos de sintaxe histórica, variação linguística e sociolinguística, pois evidencia que a língua não é estática, mas moldada pelo uso dos falantes. O debate sobre norma e preconceito linguístico ganha relevância ao mostrar que atitudes puristas podem distorcer a compreensão da realidade linguística.

Tópicos relacionados

  • Mudança linguística e variação
  • Sintaxe histórica do português
  • Verbos existenciais: haver e ter
  • Norma prescritiva vs descritiva
  • Preconceito linguístico

Enunciado

A substituição do haver por ter em construções existenciais, no português do Brasil, corresponde a um dos processos mais característicos da história da língua portuguesa, paralelo ao que já ocorrera em relação à ampliação do domínio de ter na área semântica de “posse”, no final da fase arcaica. Mattos e Silva (2001:136) analisa as vitórias de ter sobre haver e discute a emergência de ter existencial, tomando por base a obra pedagógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos quarenta e cinquenta do século XVI, encontram-se evidências, embora raras, tanto de ter “existencial”, não mencionado pelos clássicos estudos de sintaxe histórica, quanto de haver como verbo existencial com concordância, lembrado por Ivo Castro, e anotado como “novidade” no século XVIII por Said Ali.
Como se vê, nada é categórico e um purismo estreito só revela um conhecimento deficiente da língua. Há mais perguntas que respostas. Pode-se conceber uma norma única e prescritiva? É válido confundir o bom uso e a norma com a própria língua e dessa forma fazer uma avaliação crítica e hierarquizante de outros usos e, através deles, dos usuários? Substitui-se uma norma por outra?

CALLOU, D. A propósito de norma, correção e preconceito linguístico: do presente para o passado. In: Cadernos de Letras da UFF, n. 36, 2008. Disponível em: www.uff.br. Acesso em: 26 fev. 2012 (adaptado).

Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes contextos evidencia que

Alternativas

  • A)

    O estabelecimento de uma norma prescinde de uma pesquisa histórica.

  • B)

    Os estudos clássicos de sintaxe histórica enfatizam a variação e a mudança na língua.

  • C)

    A avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fundamenta a definição da norma.

  • D)

    A adoção de uma única norma revela uma atitude adequada para os estudos linguísticos.

  • E)

    Os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguística.

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Perguntas frequentes

O que é um verbo existencial?

Um verbo existencial é aquele que indica a existência de algo, como 'haver' em 'há livros' ou 'ter' em 'tem livros' no português brasileiro.

Por que 'ter' substituiu 'haver' em contextos existenciais?

A substituição ocorreu por processos históricos de mudança linguística, onde 'ter' expandiu seu domínio semântico, passando de posse para existência, tornando-se mais frequente na fala.

O que é norma prescritiva?

Norma prescritiva é um conjunto de regras impostas como 'corretas' por gramáticas tradicionais, muitas vezes ignorando o uso real dos falantes e a variação linguística.