Sobre o tema
A questão aborda a tensão entre a norma culta da língua portuguesa e as variações linguísticas regionais e informais. A partir do texto de Rubem Alves, discute-se como o autor reconhece a importância da norma padrão em contextos formais de comunicação escrita, como vestibulares e produções acadêmicas, mesmo valorizando o uso popular que difere da gramática prescritiva. O texto ilustra o conflito entre a correção gramatical e a identidade cultural, destacando que a adequação linguística depende do contexto comunicativo.
Tópicos relacionados
- Norma padrão e variação linguística
- Adequação linguística ao contexto
- Papel do dicionário na língua
- Rubem Alves e a língua portuguesa
- Linguagem formal versus informal
Enunciado
Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra num desses meus badulaques. Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” — do verbo “varrer”. De fato, trata-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário, aquela que tem, no topo, a fotografia de uma “varroa”(sic!) (você não sabe o que é uma “varroa”?) para corrigir me do meu erro. E confesso: ele está certo. O certo é “varrição” e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim porque nunca os vi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário com a “varroa” no topo. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção” quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado.
ALVES, R. Mais badulaques. São Paulo: Parábola, 2004 (fragmento).
De acordo com o texto, após receber a carta de um amigo “que se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário” sinalizando um erro de grafia, o autor reconhece
Alternativas
- A)
A supremacia das formas da língua em relação ao seu conteúdo.
- B)
A necessidade da norma padrão em situações formais de comunicação escrita.
- C)
A obrigatoriedade da norma culta da língua, para a garantia de uma comunicação efetiva.
- D)
A importância da variedade culta da língua, para a preservação da identidade cultural de um povo.
- E)
A necessidade do dicionário como guia de adequação linguística em contextos informais privados.
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Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre norma culta e variação linguística?
A norma culta é a variedade padrão ensinada nas escolas e usada em contextos formais; já a variação linguística engloba as diferentes formas de falar de acordo com região, classe social, situação, etc.
Em que situações a norma padrão é exigida?
Em situações formais de comunicação escrita, como redações de concursos, documentos oficiais, artigos científicos e correspondências formais.
Por que o uso popular pode divergir do dicionário?
Porque a língua é viva e moldada pelos falantes; o dicionário registra formas consideradas corretas, mas o uso popular pode criar variações que não estão na norma padrão.