Ano 2010#ciencias-humanas

Sobre o tema

A literatura brasileira do século XIX, especialmente a obra de Machado de Assis, é marcada por uma profunda análise psicológica e social. Em "Quincas Borba", o autor explora as transformações da sociedade brasileira após a abolição da escravatura, com foco na ascensão social de Rubião, um professor mineiro que herda uma fortuna. O fragmento destaca o conflito entre a essência e a aparência, tema universal que transcende o contexto histórico. A partir da descrição dos objetos de luxo e da resistência aos criados estrangeiros, Machado critica a superficialidade e o materialismo da elite emergente, revelando como a busca por status pode levar à perda da identidade. Essa abordagem psicológica e filosófica confere à obra uma dimensão universal, permitindo reflexões sobre a condição humana em diferentes épocas e culturas.

Tópicos relacionados

  • Análise de Quincas Borba de Machado de Assis
  • Conflito entre essência e aparência na literatura
  • Crítica social em Machado de Assis
  • Universalização na obra machadiana
  • Contexto histórico do pós-abolição no Brasil

Enunciado

Capítulo III

Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando  a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de  bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que esta aqui na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja – primor de argentaria, execução fina  e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência  que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a  necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços.

ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento).

Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside

Alternativas

  • A)

    No conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência.

  • B)

    No sentimento de nostalgia do passado devido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes.

  • C)

    Na referência a Fausto e Mefistófeles, que representam o desejo de eternização de Rubião.

  • D)

    Na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho.

  • E)

    Na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia.

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Perguntas frequentes

Qual é o tema central de Quincas Borba?

O tema central é a ascensão social e a decadência moral de Rubião, explorando a influência do dinheiro e do status na sociedade, além da crítica ao materialismo e à superficialidade.

Como Machado de Assis aborda a questão da escravidão em suas obras?

Machado de Assis aborda a escravidão de forma indireta, muitas vezes através de críticas sociais e psicológicas, revelando as contradições e hipocrisias da elite brasileira do século XIX.

O que significa a universalização na literatura de Machado de Assis?

A universalização refere-se à capacidade de suas obras tratarem de temas humanos universais, como ambição, vaidade e moralidade, transcendendo o contexto histórico e cultural específico do Brasil.

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