Sobre o tema
A relação entre criminalidade juvenil, tráfico de drogas e políticas públicas é um tema central no debate sobre segurança pública no Brasil. O editorial da Folha de S.Paulo, de 2003, analisa dados de pesquisa da Fiocruz sobre adolescentes recrutados pelo narcotráfico nas favelas cariocas, destacando a atratividade financeira do crime organizado frente à precariedade educacional e às políticas sociais compensatórias. O texto defende que a repressão e o aumento da certeza de punição são essenciais para desestimular a opção pelo crime, contrapondo-se à ideia de que apenas programas sociais seriam suficientes. Compreender essa argumentação é fundamental para analisar as complexas causas da violência urbana e as estratégias de combate ao crime organizado no Brasil.
Tópicos relacionados
- Tráfico de drogas e recrutamento de jovens
- Políticas sociais compensatórias no Brasil
- Segurança pública e repressão ao crime
- Desigualdade social e criminalidade
- Análise de editorial e argumentação
Enunciado
A carreira do crime
Estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz sobre adolescentes recrutados pelo tráfico de drogas nas favelas cariocas expõe as bases sociais dessas quadrilhas, contribuindo para explicar as dificuldades que o Estado enfrenta no combate ao crime organizado.
O tráfico oferece ao jovem de escolaridade precária (nenhum dos entrevistados havia completado o ensino fundamental) um plano de carreira bem estruturado, com salários que variam de R$ 400,00 a R$ 12.000 mensais. Para uma base de comparação, convém notar que, segundo dados do IBGE de 2001, 59% da população brasileira com mais de dez anos que declara ter uma atividade remunerada ganha no máximo o ‘piso salarial’ oferecido pelo crime. Dos traficantes ouvidos pela pesquisa, 25% recebiam mais de R$ 2.000 mensais; já na população brasileira essa taxa não ultrapassa 6%.
Tais rendimentos mostram que as políticas sociais compensatórias, como o Bolsa-Escola (que paga R$ 15 mensais por aluno matriculado), são por si só incapazes de impedir que o narcotráfico continue aliciando crianças provenientes de estratos de baixa renda: tais políticas aliviam um pouco o orçamento familiar e incentivam os pais a manterem os filhos estudando, o que de modo algum impossibilita a opção pela deliquência. No mesmo sentido, os programas voltados aos jovens vulneráveis ao crime organizado (circo-escola, oficinas de cultura, escolinhas de futebol) são importantes, mas não resolvem o problema.
A única maneira de reduzir a atração exercida pelo tráfico é a repressão, que aumenta os riscos para os que escolhem esse caminho. Os rendimentos pagos aos adolescentes provam isso: eles são elevados precisamente porque a possibilidade de ser preso não é desprezível. É preciso que o Executivo federal e os estaduais desmontem as organizações paralelas erguidas pelas quadrilhas, para que a certeza de punição elimine o fascínio dos salários do crime.
Editorial. Folha de São Paulo. 15 jan. 2003.
Com base nos argumentos do autor, o texto aponta para
Alternativas
- A)
Uma denúncia de quadrilhas que se organizam em torno do narcotráfico.
- B)
A constatação de que o narcotráfico restringe-se aos centros urbanos.
- C)
A informação de que as políticas sociais compensatórias eliminarão a atividade criminosa a longo prazo.
- D)
O convencimento do leitor de que para haver a superação do problema do narcotráfico é preciso aumentar a ação policial.
- E)
Uma exposição numérica realizada com o fim de mostrar que o negócio do narcotráfico é vantajoso e sem riscos.
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Perguntas frequentes
Por que o tráfico de drogas atrai jovens de baixa renda?
O tráfico oferece salários atrativos (de R$ 400 a R$ 12.000 mensais) para jovens com escolaridade precária, superando em muito os rendimentos de empregos formais e as bolsas de programas sociais.
Qual a eficácia das políticas sociais compensatórias no combate ao crime organizado?
Segundo o editorial, políticas como o Bolsa-Escola aliviam o orçamento familiar e incentivam a permanência na escola, mas são insuficientes para impedir o aliciamento pelo tráfico, pois não eliminam o atrativo financeiro.
O que o autor do texto propõe como solução para reduzir a atração pelo crime?
O autor defende que a repressão e o aumento da certeza de punição são a única maneira eficaz de reduzir a atração pelo tráfico, pois os altos salários refletem os riscos envolvidos.
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