Ano 2010

Sobre o tema

A rua como espaço literário é um tema recorrente na literatura brasileira do final do século XIX e início do XX, especialmente em crônicas e romances que exploram a experiência urbana. Autores como João do Rio e Lima Barreto retratam a rua não apenas como cenário, mas como personagem que molda relações sociais e identidades. No fragmento de João do Rio, a rua é um lugar que une as pessoas em um amor comum, criando um sentido de comunidade. Já no texto de Lima Barreto, a rua é palco para a exibição pessoal e o reconhecimento social, onde a personagem se sente rainha. Essas visões complementares revelam como a rua pode simultaneamente promover vínculos coletivos e afirmar individualidades, sendo um microcosmo da sociedade urbana em transformação.

Tópicos relacionados

  • A rua na literatura brasileira
  • João do Rio e a crônica urbana
  • Lima Barreto e a crítica social
  • Experiência urbana no modernismo
  • Espaço público e identidade

Enunciado

Texto I

Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e  razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós.  Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque  soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua.  É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e  às épocas.

RIO, J. A rua. In: A alma encantadora das ruas. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).

Texto II

A rua dava-lhe uma força de fisionomia, mais consciência dela. Como se sentia estar no seu reino, na região  em que era rainha e imperatriz. O olhar cobiçoso dos homens e o de inveja das mulheres acabavam o  sentimento de sua personalidade, exaltavam-no até. Dirigiu-se para a rua do Catete com o seu passo miúdo e  sólido. \[…\] No caminho trocou cumprimento com as raparigas pobres de uma casa de cômodos da vizinhaça.
\[…\] E debaixo dos olhares maravilhados das pobres raparigas, ela continuou o seu caminho, arrepanhando a saia, satisfeita que nem uma duquesa atravessando os seus domínios.

BARRETO, L. Um e outro. In: Clara dos anjos. Rio de Janeiro: Editora Mérito (fragmento).

A experiência urbana é um tema recorrente em crônicas, contos e romances do final do século XIX  e início do XX, muitos dos quais elegem a rua para explorar essa experiência. Nos fragmentos I e II, a rua é vista, respectivamente, como lugar que

Alternativas

  • A)

    Desperta sensações contraditórias e desejo de reconhecimento.

  • B)

    Favorece o cultivo da intimidade e a exposição dos dotes físicos.

  • C)

    Possibilita vínculos pessoais duradouros e encontros casuais.

  • D)

    Propicia o sentido de comunidade e a exibição pessoal.

  • E)

    Promove o anonimato e a segregação social.

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Perguntas frequentes

Qual a importância da rua na literatura brasileira do início do século XX?

A rua é retratada como um espaço de encontros, conflitos e afirmação social, refletindo as transformações urbanas e as novas dinâmicas de classe e gênero.

Como João do Rio descreve a rua em seus textos?

João do Rio vê a rua como um elemento unificador, que desperta um amor coletivo e cria laços de fraternidade entre os habitantes da cidade.

Qual a diferença entre a visão de rua de João do Rio e a de Lima Barreto?

Enquanto João do Rio enfatiza a comunidade e a identificação coletiva, Lima Barreto destaca a exibição pessoal e o desejo de reconhecimento social.