Ano 2010

Sobre o tema

A obra 'Quincas Borba', de Machado de Assis, é um dos marcos do Realismo brasileiro, publicado em 1891. O romance acompanha a trajetória de Rubião, um ingênuo professor que herda uma fortuna e se muda para o Rio de Janeiro, onde é manipulado por amigos interesseiros. O fragmento aborda a ascensão social e a superficialidade das aparências, temas universais que transcendem o contexto histórico. Machado utiliza a ironia para criticar a sociedade burguesa do século XIX, explorando a tensão entre o ser e o parecer. A questão da universalização do texto reside no conflito entre passado e presente, simbolizando a vitória da aparência sobre a essência, um dilema atemporal na condição humana.

Tópicos relacionados

  • Machado de Assis e o Realismo brasileiro
  • Ironia e crítica social em Quincas Borba
  • Ascensão social e superficialidade burguesa
  • Conflito entre aparência e essência na literatura
  • Personagens tipos em Machado de Assis

Enunciado

Capítulo III

Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando  a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de  bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que esta aqui na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja – primor de argentaria, execução fina  e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência  que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a  necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços.

ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento).

Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside

Alternativas

  • A)

    No conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência.

  • B)

    No sentimento de nostalgia do passado devido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes.

  • C)

    Na referência a Fausto e Mefistófeles, que representam o desejo de eternização de Rubião.

  • D)

    Na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho.

  • E)

    Na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

Qual é a principal crítica social em Quincas Borba?

A principal crítica é à superficialidade e ao materialismo da sociedade burguesa do século XIX, onde as aparências e o status social prevalecem sobre valores éticos e a essência humana.

Como Machado de Assis utiliza a ironia em seus romances?

Machado usa a ironia para desnudar hipocrisias, contradições e falhas morais dos personagens e da sociedade, sem julgamentos explícitos, deixando o leitor refletir sobre as ambiguidades humanas.

O que representa o personagem Rubião em Quincas Borba?

Rubião representa o arrivista social ingênuo, que ascende repentinamente sem preparo para lidar com a riqueza e as manipulações alheias, tornando-se vítima da própria vaidade e das circunstâncias.