Sobre o tema
A obra 'Quincas Borba', de Machado de Assis, é um dos marcos do Realismo brasileiro, publicado em 1891. O romance acompanha a trajetória de Rubião, um ingênuo professor que herda uma fortuna e se muda para o Rio de Janeiro, onde é manipulado por amigos interesseiros. O fragmento aborda a ascensão social e a superficialidade das aparências, temas universais que transcendem o contexto histórico. Machado utiliza a ironia para criticar a sociedade burguesa do século XIX, explorando a tensão entre o ser e o parecer. A questão da universalização do texto reside no conflito entre passado e presente, simbolizando a vitória da aparência sobre a essência, um dilema atemporal na condição humana.
Tópicos relacionados
- Machado de Assis e o Realismo brasileiro
- Ironia e crítica social em Quincas Borba
- Ascensão social e superficialidade burguesa
- Conflito entre aparência e essência na literatura
- Personagens tipos em Machado de Assis
Enunciado
Capítulo III
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que esta aqui na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja – primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços.
ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento).
Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside
Alternativas
- A)
No conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência.
- B)
No sentimento de nostalgia do passado devido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes.
- C)
Na referência a Fausto e Mefistófeles, que representam o desejo de eternização de Rubião.
- D)
Na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho.
- E)
Na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia.
Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.
Comentarios (0)
Carregando comentarios...
Perguntas frequentes
Qual é a principal crítica social em Quincas Borba?
A principal crítica é à superficialidade e ao materialismo da sociedade burguesa do século XIX, onde as aparências e o status social prevalecem sobre valores éticos e a essência humana.
Como Machado de Assis utiliza a ironia em seus romances?
Machado usa a ironia para desnudar hipocrisias, contradições e falhas morais dos personagens e da sociedade, sem julgamentos explícitos, deixando o leitor refletir sobre as ambiguidades humanas.
O que representa o personagem Rubião em Quincas Borba?
Rubião representa o arrivista social ingênuo, que ascende repentinamente sem preparo para lidar com a riqueza e as manipulações alheias, tornando-se vítima da própria vaidade e das circunstâncias.