Ano 2009

Sobre o tema

O debate entre a norma padrão e o uso real da língua portuguesa no Brasil é um tema central nos estudos linguísticos e na educação. De um lado, defensores da gramática tradicional prescrevem regras fixas, muitas vezes baseadas no português europeu, como garantia de unidade nacional e correção. De outro, linguistas e educadores defendem uma abordagem descritiva, que reconhece as variações e adaptações naturais da língua no contexto brasileiro, como no português falado e escrito na mídia. Esse conflito reflete questões de identidade, poder e preconceito linguístico, sendo fundamental para entender políticas de ensino e prática pedagógica. A análise de diferentes posicionamentos sobre o tema ajuda a compreender os desafios de equilibrar tradição e inovação no uso da língua.

Tópicos relacionados

  • Norma padrão e variação linguística
  • Gramática prescritiva vs descritiva
  • Linguagem jornalística brasileira
  • Preconceito linguístico no Brasil
  • Português brasileiro vs português europeu

Enunciado

Texto I
O professor deve ser um guia seguro, muito senhor de sua língua; se outra for a orientação, vamos cair na “língua brasileira”, refúgio nefasto e confissão nojenta de ignorância do idioma pátrio, recurso vergonhoso de homens de cultura falsa e de falso patriotismo. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que exprime e representa o idioma pátrio?

ALMEIDA, N. M. Gramática metódica da língua portuguesa.
Prefácio. São Paulo: Saraiva, 1999 (adaptado).

Texto II
Alguns leitores poderão achar que a linguagem desta Gramática se afasta do padrão estrito usual neste tipo de livro. Assim, o autor escreve _tenho que reformular_, e não _tenho de reformular_; _pode-se colocar dois constituintes_, e não _podem-se colocar dois constituintes_; e assim por diante. Isso foi feito de caso pensado, com a preocupação de aproximar a linguagem da gramática do padrão atual brasileiro presente nos textos técnicos jornalísticos de nossa época.

REIS, N. Nota do editor. PERINI, M. A. Gramática descritiva
do português. São Paulo: Ática, 1996.

Confrontando-se as opiniões defendidas nos dois textos, conclui-se que

Alternativas

  • A)

    Ambos os textos tratam da questão do uso da língua com o objetivo de criticar a linguagem do brasileiro.

  • B)

    Os dois textos defendem a ideia de que o estudo da gramática deve ter o objetivo de ensinar as regras prescritivas da língua.

  • C)

    A questão do português falado no Brasil é abordada nos dois textos, que procuram justificar como é correto e aceitável o uso coloquial do idioma.

  • D)

    O primeiro texto enaltece o padrão estrito da língua, ao passo que o segundo defende que a linguagem jornalística deve criar suas próprias regras gramaticais.

  • E)

    O primeiro texto prega a rigidez gramatical no uso da língua, enquanto o segundo defende uma adequação da língua escrita ao padrão atual brasileiro.

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Perguntas frequentes

O que é norma padrão da língua?

Norma padrão é o conjunto de regras gramaticais e usos linguísticos considerados ideais ou exemplares, geralmente baseados em autores clássicos e na tradição normativa.

Qual a diferença entre gramática prescritiva e descritiva?

A gramática prescritiva impõe regras de como se deve falar e escrever; a descritiva analisa e descreve como a língua é realmente usada pelos falantes.

Por que há controvérsia sobre o português falado no Brasil?

Porque alguns defendem a manutenção do padrão europeu como modelo de correção, enquanto outros valorizam as variações brasileiras como legítimas e próprias da identidade nacional.