Ano 2025#cacd#fase1#lingua-portuguesa

Sobre o tema

A periodização histórica é um tema central nos estudos de história, especialmente quando se discute o início da modernidade. Tradicionalmente, marcos como o Renascimento, a Reforma Protestante ou a revolução científica são apontados como pontos de partida. No entanto, a passagem analisada propõe uma reflexão sobre o papel simbólico das grandes navegações, em particular a viagem de Colombo em 1492, como um divisor de águas. Essa visão, presente em manuais escolares, contrapõe-se a outras narrativas que enfatizam aspectos filosóficos ou econômicos. A referência ao historiador Fernand Braudel, com sua obra sobre o Mediterrâneo, enriquece o debate ao destacar o significado cultural e geográfico da travessia atlântica, representando a superação de um mundo fechado. Assim, a discussão sobre o que define a modernidade permanece viva, envolvendo diferentes perspectivas historiográficas.

Tópicos relacionados

  • Periodização histórica e modernidade
  • Grandes navegações e descobrimentos
  • Fernand Braudel e o Mediterrâneo
  • Simbolismo da viagem de Colombo
  • Historiografia e manuais escolares

Enunciado

Bem antes que tentassem me convencer que a data de nascimento da modernidade era um espirro cartesiano, ou então um novo interesse empírico pela natureza que transpira das páginas do Novum Organum de Bacon, ou ainda (mais tarde e mais “marxista”) a abertura dos primeiros bancos — bem antes de tudo isso, quando era rapaz, se ensinava que a modernidade começou em outubro de 1492. Nos livros da escola, o primeiro capítulo dos tempos modernos eram e são as grandes explorações. Entre estas, a viagem de Colombo ocupa um lugar muito especial. Descidas Saara adentro ou intermináveis caravanas por montes e desertos até a China de nada valiam comparadas com a aventura do genovês. Precisa ler Mediterrâneo de Fernand Braudel para conceber o alcance simbólico do pulo além de Gibraltar, não costeando, mas reto para frente. Precisa, entre outras palavras, evocar o mar Mediterrâneo — este pátio comum navegável e navegado por milênios, espécie de útero vital compartilhado — para entender por que a viagem de Colombo acabou e continua sendo uma metáfora do fim do mundo fechado, do abandono da casa materna e paterna. social no Brasil. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1999, p. 11-12 (com adaptações).

No quarto período, a referência às viagens e explorações realizadas antes da descoberta da América demonstra como era (e é) considerado grandioso o feito de Colombo nos livros escolares.

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Perguntas frequentes

Por que a viagem de Colombo é considerada um marco da modernidade?

A viagem de Colombo em 1492 é vista como um marco porque representou a superação do mundo fechado medieval, abrindo caminho para a globalização e o contato entre continentes, simbolizando uma nova era de exploração e conhecimento.

Qual o papel de Fernand Braudel na discussão sobre a modernidade?

Fernand Braudel, historiador da Escola dos Annales, destacou a importância do Mediterrâneo como espaço de intercâmbio e mostrou que a travessia atlântica de Colombo rompeu com uma tradição milenar, alterando a percepção geográfica e histórica.

Como os livros escolares tradicionalmente apresentam o início da modernidade?

Muitos livros escolares iniciam a modernidade com as grandes navegações, especialmente a viagem de Colombo, enfatizando o descobrimento da América como um evento transformador e didático para periodizar a história.

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